Porra para estes gajos
Esta semana foi de gritos. Não gritos daqueles estridentes mas de gritos interiores como que a dizer “porra para estes gajos” que veem onde os outros não veem e deixam qualquer mortal que julga ser um profissional exemplar, que faz tudo bem, com critério e dentro da lei, numa franja de nervos a querer gritar bem alto “porra para estes gajos”.
Foi assim a semana de loucos com uma inspeção às costas, onde tudo é revirado à procura de qualquer falha.
Revira-se os dossiers, revira-se as plataformas eletrónicas, revira-se as atas do conselho pedagógico, atas do conselho geral, atas de turma e atas de grupo, horários de turmas e horários de professores, tudo vale à procura de qualquer falha. Todos os documentos têm que estar de acordo e quando um diz algo que o outro não menciona lá vem a recomendação.
Até resíduos de quem esteve no casebre e já não está há muitos anos, eles verificam os seus rastos. Pois a recomendação é, se estes não são vossos porque constam nas plataformas. Constam porque não se podem apagar. Então arranjem meios porque assim não está bem. Porra para estes gajos é o que penso! Podiam ao menos dizer como se apagam para não constarem esses ficheiros, mas não, não é a função deles, a função deles é inspetiva, vem de inspeção e não formativa, de formação para dizer como se faz.
Que raio de autonomia dão aos casebres? É aqui que se vê que não vale nada perante os argumentos destes gajos. Eles mandam e não dão cavaco a ninguém.
Ao cabo de quatro dias, no fim faremos as nossas recomendações, dizem, já em gesto de despedida e em tom mais cordial, como que a deixar supor, haverá sempre recadinhos porque somos inspetores e temos que mostrar serviço, mas não se preocupem que é o que fazemos em todo o lado.
Pois assentaram praça lá no casebre e foram quatro dias, desde terça-feira a sexta-feira, sempre a vasculhar e a interrogar. Agora posso gritar “porra para estes gajos” que não os quero ver tão cedo perto do casebre.
Passou e é um alívio.
Bisbilhotada semanal
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