Cartazes de Abril 2016
Cartazes de Abril cada qual com a sua história que se podem ver no link: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.443455412403856.1073741829.428786767204054&type=3
Mas um outro lado da história de Abril é esta que foi registada num dos primeiros posts deste blog.
Despiu-se o medo... Vestiu-se a Liberdade!..
Tinha 16 anos e andava no 10º ano ou no 1º ano do Curso Complementar de Mecânotecnia como lhe chamavam na altura. Fazia aquele percurso de 3 km a pé entre a sua casa e a escola, mas naquele dia algo lhe parecia que andava no ar.
Algumas pessoas falavam muito baixinho e olhavam para os lados como se tivessem medo de ser ouvidas e a G.N.R. andava num frenesim para cima e para baixo como se procurasse algo.
Ele achou estranho, mas mesmo assim, continuou até à escola e quando lá chegou foi informado que estava fechada, sendo aconselhado a ir direitinho para casa sem parar em nenhum lado.
O Gonçalves, homem já de barba e o colega mais velho da turma, acompanhou-o no percurso para casa, já que ficava para os seus lados e foi-lhe explicando entre dentes que tinha havido uma revolução para acabar com a guerra colonial.
O percurso foi feito quase em silêncio e a G.N.R. passava por eles para cima e para baixo nas suas patrulhas de mota e com muita mais insistência, até que o Gonçalves disse baixinho: Olha, estes são os fachos, são a favor da guerra colonial e contra a revolução, enquanto os militares são contra a guerra colonial e foram os que fizeram a revolução. Ainda vai haver guerra entre eles, dizia ele.
Despediu-se do colega que ficava pelo centro da cidade e continuou o seu percurso passando como sempre no Quartel Militar do Exército na altura RAL 5, Penafiel, reparando que havia um movimento invulgar de carros de combate à porta desse Quartel Militar.
Continuando o percurso até casa, ficou atento às notícias até ter a confirmação do que significava esta Revolução e o marco que foi o 25 de Abril.
Foi assim a minha primeira lição sobre o 25 de Abril, dia em que se despiu o medo e vestiu-se a Liberdade...
Faz hoje trinta e dois (quarenta e dois) anos...sempre que posso relembro-o.
Foi assim que eu vi e senti o 25 de Abril de 1974.
Agostinho Silva
"Arte por um Canudo "
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