Para quando um novo paradigma de sociedade?

 


Há coisas que não se compreendem!.
Eu pelo menos não compreendo. Devo ser daqueles que só à martelada é que certas coisas entram na cabeça.Ou por outro lado, faço como os outros e tapo o sol com uma peneira, para não ver nem tentar perceber.
Mas não, não é a melhor forma? Costumo dizer se não gosto não como, mas neste caso obrigam-me a comer. Então resmungo:  Não compreendo como é que depois de cairmos nas garras do capitalismo selvagem, continuamos a praticar as mesmas medidas e a manter o mesmo modelo que deu origem a este colapso nas economias dos países, e que atirou para a miséria e para o desespero milhões e milhões de pessoas.
Ainda há bem pouco tempo, pensava-se que a sociedade de lazer não era uma utopia, onde as pessoas além do seu trabalho, tinham tempo para o lazer, para a cultura, para cuidar dos filhos em familia, para serem pessoas, mas com a crise tudo se afundou.
Esta crise teve como origem o advento da globalização, onde certos direitos dos trabalhadores começaram a ser postos em causa com o objectivo da produtividade e do lucro. É de lembrar que recentemente, antes da crise, se discutia a aprovação para a  semana de 65 horas, para que o homem se tornasse uma máquina produzindo cada vez mais, e sempre com objectivos de lucro mais elevados.
Por outro lado, as inovações tecnológicas produziam cada vez mais máquinas sofisticadas, capazes e com capacidade para substituir milhares de homens nas suas tarefas, produzindo cada vez mais e mais, dando origem a que haja mais produto para vender do que aquele que pode ser comprado, o que provocu o colapso e abrindo uma crise financeira que não se sabe ainda quando terminará.

O que me admira é que apesar desta lição, ou antes deste alerta, continuamos no mesmo modelo capitalista e selvagem em que poucos têm tudo e muitos não têm nada.

Continua-se a exigir horários de trabalho cada vez mais longos, a produzir cada vez mais, a ser postos em causa os direitos dos que trabalham, o direito ao trabalho, a fome é um facto, a liberdade de se expressar a ser questionada, a degradação dos valores morais e éticos é uma constante, a falta de solidariedade, tudo, mas tudo, fruto do egoísmo dos homens em favor dum capitalismo sem regras e do lucro desenfreado.

Requere-se um novo paradigma de sociedade? A lição de nada serviu….

 


"Arte por um Canudo 2"


Comentários

  1. É caso para perguntar: "Que mais nos irá acontecer?"
    Grande abraço.

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  2. Andam por aí uns poderes ocultos que fazem asneira da grossa e continuam a mandar. Os trabalhadores é que têm de abrir os olhos. São poderes do sistema mundial que nunca mais acabam. E todos sabem quem são só que não os apontam com medo de represálias.

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  3. Paradigma é continuar a falar de um tema que ninguém leva a sério... 40h/semana? Devem estar a brincar... se eu saísse às 18h seriam 40h, mas isso é algo que raramente, muito raramente acontece! Sei quais são os meus direitos, mas também sei quais são os meus deveres...

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  4. o Sr Carlos Tavares também deve ser daqueles trabalhadores/burgueses em que o trabalho é só estar sentado na cadeira. Se trabalhasse no duro ele veria o que é trabalhar mais de 40 horas.

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  5. A partir do momento que se permite que fechem empresas e despeçam centenas de trabalhadores, apenas porque não dá o lucro que os accionostas querem. está tudo dito...

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  6. Sem querer entrar em discussões acaloradas que já tive aqui por este blog (e o Agostinho que o diga... :-)), devo lembrar ao Sr. António que o conceito "trabalho" é muito mais do que mexer braços e pernas. O trabalho intelectual também pode ser duro, mas já vi onde onde quer chegar... ou não tivesse empregue o adjectivo "trabalhadores/burgueses"!! E fico por aqui... era só o que faltava estar aqui a qualificar que o meu trabalho é mais duro que X, Y ou Z, ou vice-versa. Reafirmo o que disse no primeiro comentário: sei quais são os meu direitos, assim como sei quais são os meus deveres... será esta a frase que tanta preocupação causou no sr. António?

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  7. É verdade que já houve aqui discussões de pontos de vista acalorados.Mas nada de ofensas. Jé agora deixo o comentário que deixei no teu blogue, porque até se complementa com este artigo. Cito o comentário "Muito bom o texto.Pais exaustos só se for do trabalho, porque dos filhos quase nem vê-los.Ainda hoje no Sol um estudo que diz que as crianças passam nove horas nas creches e jardins.Mais, dizem que as creches e os jardins ainda deviam ter um horário mais alargado, e para quê? Muitos pais quase não chegam a ver os filhos, porque o trabalho não lhes deixa manobra para isso.É uma sociedade destas que não deve ser defendida, onde só se vive para o trabalho e se deixa ao cuidado dos outros a familia.No meio disto gostei dos pais tipo helicóptero. Gr.Abraço"

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  8. Esse é modelo de sociedade que continua apesar do alerta vermelho que teve e da crise que criou.Nada mudou Politikus.

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  9. A brincar se diz aflores, não sei não, mas que vai ser duro de roer, isso vai. Se este colapsou, então porquê continuar no mesmo.

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  10. Pois pedrinho...é capaz de ter razão nessa dos poderes ocultos. Há muito poder desconhecido que não se sabe bem do que é capaz.

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  11. Depois de umas ausênciasitas forçadas ca estou de novo a dar uma vista de olhos ao blog.
    Pois é o resultado disto tudo é que o capitalismo selvagem no principio de cada ano civil faz uns calculos a sua maneira.O projeto é por exemplo terem um lucro de mil milhões de €uros durante o ano.
    Mas se so tiverem 990 mil ja gritam ao socorro que tiveram um défice 10 milhões de €uros num ano.
    E a solução é meter os trabalhadores na rua,sem se preocuparem com a familia, e sabendo que quando as pessos não trabalham não pode haver desenvolvimento progressivo.Mas como eles têm o estômago cheio não se lembram de quem o tem vazio.Quanto ao sr Tavares digo que somos conscientes que temos os nossos deveres mas da mesma forma temos os nossos direitos.
    Sera que 8 horas por dia de trabalho não chega?.Se o sr. tivesse começado a trabalhar aos 12 anos como foi o meu caso, tivesse feito uma guerra que não era a sua,tivesse continuado a trabalhar no duro até quase não se poder curvar,de certeza que não queria a semana de 65 horas nem a reforma aos 67 anos.
    Não foi o sr. que um dia disse neste blog que se devia governar com ditadura?.Se não foi pesso desculpa mas a minha memoria não me custuma trahir.Tem que ser votada uma lei que proiba as empresas que fazem beneficios meterem trabalhadores no desemprego

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  12. No comentario anonimo o autor é o Zé Carrapato
    Pesso desculpa.Quando se não usa esquece.

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  13. Viva Zé Carrapato! Há quanto tempo? A tua opinião é sempre bem-vinda.Bom Domingo

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