Professor: Alvo a abater









Nesta sexta-feira dia 13 de Março de 2009 pensei que seria uma experiência interessante registar o que me acontece num dia ou numa semana de trabalho típica. Devo dizer que a minha profissão é a de professor, pelo que, nos tempos que correm, sou um alvo a abater.

 Adiante.

Nesta sexta-feira, as principais ocorrências de carácter disciplinar (que é como se chama modernamente à má educação, marginalidade e brutalidade), foram as seguintes:

- 8.00 horas - O aluno Raimundo da turma especial do 6º ano espancou o aluno Eduardo, da minha Direcção de Turma, a 2 metros do portão da escola. Sem qualquer motivo. Apeteceu-lhe.

- 12.30 horas - O aluno Raimundo da turma especial do 6º ano, na cantina da escola, entornou alguma água no seu tabuleiro, e exigiu que o aluno Hermínio, da minha Direcção de Turma, limpasse a água com um guardanapo. Como este se tivesse negado, regou-lhe a comida toda com o conteúdo inteiro de uma garrafa de litro e meio de água. A comida ficou impossível de ser consumida, pelo que o almoço do aluno foi meio papo-seco oferecido por outro aluno.

- 14.30 horas - Tive conhecimento do sucedido, redigi as participações disciplinares e procurei o aluno Raimundo, que tem 17 anos, anda no 6º ano, mede 1.80m e desde que entra até que sai da escola tudo o que faz é agredir, insultar, ameaçar e destruir. 

Perguntei-lhe o que se tinha passado.

Respondeu-me: 

"Bati no Eduardo do portão para fora, por isso você não tem nada a ver com isso, e aquilo da água na comida do Hermínio é mentira".


Avisei-o para que não tocasse mais nos meus alunos. Riu-se e disse:

- "É só se não me apetecer".


-Redigi nova participação disciplinar. Será mais uma para o monte. 


Inútil.

- 15.25 horas - Na fila para o bar, o aluno da minha Direcção de Turma Carlos Daniel, foi espancado por um aluno dos Cursos de Educação e Formação, de nome Fábio, sem qualquer motivo. Apenas por desfastio.

Nova participação disciplinar, relatório, recado nas cadernetas, cópias para o Director de Turma do agressor, para o Conselho Executivo, para o meu dossier, cartas registadas.

- 16.00 horas - A minha aula é interrompida por uma gritaria enorme. Ouço uma mulher a chorar. Ao lado de um cacifo destruído, o aluno que agredira os meus dois, de manhã, ria-se na cara da funcionária, que entrara em desespero por ele estar a destruir o cacifo e não lhe obedecer. A funcionária chorava convulsivamente, na medida exacta em que ele a insultava, chamando-lhe um pouco de tudo o que se possa imaginar. Chamei o vice-presidente, que pediu ao aluno para o acompanhar. O Raimundo afirma peremptoriamente que não fez nada (!!!).

Chama-me mentiroso. Diz que me f**** os cornos à saída. 

- 16.30 horas - O aluno Fábio (o da agressão ao Carlos Daniel) é expulso da sala de aula contígua. Recusa-se a sair. A professora pede ajuda e as funcionárias fogem. Naturalmente, acudo. O indivíduo, refastelado numa mesa e a rir-se às gargalhadas, galvaniza toda a turma numa espécie de delírio colectivo. É o caos. Peço licença à colega, pego nele e ponho-o na rua.

- Você tem a mania que é esperto, qualquer dia f***-se! Sempre a meter-se onde não é chamado!... 

 Mais uma participação disciplinar, com todo o cortejo de procedimentos burocráticos associados, e para nada.

Entrei às 8.15 horas. Às 17.30 acabou o meu período de aulas, com 50 minutos de almoço. Dei sete blocos de aulas, no meio de indisciplina, e todos os meus intervalos, mesmo o do almoço, foram ocupados a preencher papéis referentes a estes casos mais flagrantes de indisciplina. Não têm conta os palavrões que ouvi, as gritarias nos corredores, os insultos velados ou pelas costas de modo a não se identificar quem insultou, ou não se "ter provas".

É fácil de imaginar o estado de nervos em que se trabalha. A disposição, a clareza de raciocínio, a inspiração, tudo se dissolve debaixo desta contenção forçada, deste caos, desta selva sem lei a que se está sujeito. Todos os dias.

 Segunda Feira 16\03

Nesta segunda-feira apresentei-me ao serviço às 8.15 horas, como sempre, e com a esperança sincera de não ter que escrever nada na entrada de hoje. É todos os dias a mesma coisa. Todos os dias eu desejo que seja um dia sem "casos". Não foi:

- 10.3o horas - Duas alunas entram na sala aos gritos, numa discussão do tipo Morangos com Açúcar, teatralizada até à náusea, com asneirões pelo meio. Duas faltas disciplinares, procedimentos burocráticos da praxe, e os habituais protestos de que "não estavam a fazer nada", mais as ameaças de chamar alguém do Conselho Executivo para as pôr fora da sala.

- 12.30 horas - Passo nas imediações da cantina, e na fila, um aluno do 9º ano, velho conhecido, bate com as cabeças de dois alunos do 5º ano uma contra a outra. Ria-se para as colegas de turma e afirmava estar a "descarregar o stress". 

Trata-se de um aluno cujos pais vêm sempre à escola ameaçar com queixas e com tribunais todos os professores, funcionários ou alunos que reajam aos numerosos abusos que comete todos os dias e a toda a hora. É genuinamente mau. Famoso nas redondezas por alvejar gatos e cães com tiros de carabina (oferecida pelo pai especialmente para o efeito).

Uma queixa de um aluno destes implica meses de transtornos diversos, devassas da vida pessoal, ameaças anónimas, etc.. Acerco-me e pergunto o que se passa. Meio tontos, os garotos do 5º ano afirmam que estão todos "a brincar". Não adianta prosseguir. Sustentarão essa versão até ao final das suas vidas, se preciso for, para evitar serem seriamente espancados pelo Abílio, o agressor. Afasto-me, debaixo dos risos sarcásticos dos meninos e das meninas da turma do "herói".

- 13.o5 horas - Uma rapariga que coxeia e tem uma acentuada deficiência numa perna, passa nas escadas e um aluno do CEF (Cursos de Educação e Formação), com ar mais boçal que se possa imaginar, dispara:

- Hã... hã... cande é que quemeças á andar como deva ser?...

Fico aturdido, incrédulo, e escapa-se-me:

- Desgraçado!

- Qué que foi? - responde o aluno do CEF, com toda a insolência.

- Então tu estás a fazer troça de uma rapariga deficiente? - digo eu.

Resposta dele:

- Eu não lhe chamei deficiente. Só disse cando é quela quemeçava á andar como deva ser!

Não vale a pena apresentar queixa. Por estranho que possa parecer, o "argumento" dele ganhava, no actual estado de loucura que tomou conta das escolas.

- 14.45 horas - Alunos de uma turma CEF que foram expulsos de uma aula, correm pelos corredores, empoleiram-se nos muretes e pontapeiam as portas das salas. As funcionárias procuram correr em sentido contrário, por forma a não poderem testemunhar nada nem intervir. Alguns professores, timidamente, assomam às portas. Sabem que nada podem fazer sem correrem riscos sérios de agressão e outras represálias. Procuro conter-me. 

- 14.55 horas - O barulho, as correrias, as patadas nas portas, as pancadas nos vidros, continuam. Saio da sala e peço a caderneta do aluno a dois dos "foliões". Um deles sai-se de pronto com o clássico:

- "Eu não fiz nada!". E ri-se, com ar de gozo.

Passam-me coisas pela vista, as pernas fraquejam, sinto um nó no estômago e tonturas. Pego na lata de Coca-Cola que ele tem na mão, esmago-a com a minha mão, e peço-lhe de novo a caderneta. 

São quatro cadernetas a preencher. Mais uma quantidade de burocracia.

- Volto à sala de aula, estou no meio de uma explicação particularmente complexa, e uma aluna resolve levantar-se para me perguntar se vi o estojo dela (!!!). Continuo a falar e ela a perguntar, ininterruptamente. Chega-se ao pé de mim e no meio da explicação só digo: "Por amor de Deus, vai-te sentar". A aluna continua a matraquear, quase em cima de mim: "Onde está a minha bolsa? Onde está a minha bolsa? Onde está a minha bolsa?".

Mais uma falta disciplinar. Os alunos resmungam que é uma "injustiça". Apetece-me sair da sala imediatamente e ir para casa. A muito custo, contenho-me. Sinto que me vai rebentar qualquer coisa na cabeça.

- 16.45 horas - O funcionário pede a minha ajuda para desalojar três rapazes, um do CEF e dois do 5º ano (!!!), que sequestraram três raparigas nas casas de banho femininas. As raparigas gritam que se desunham, mas quando chegamos à porta, saem com ar de quem acaba de descer da montanha russa. Eles recusam-se a acompanhar-nos à Gestão. Não podemos tocar-lhes, ou seremos acusados imediatamente de agressão. Mais papéis, relatórios, participações, cartas registadas, entrevistas, acariações.

A Psicóloga da escola está no Gabinete do Executivo, quando vou entregar a papelada. Acusa-nos de não sabermos lidar com os miúdos, que "têm muitos problemas em casa".

Tenho 50 anos. Não é fácil mudar de emprego nesta idade.

Hoje "almocei" e "lanchei" Actimel. Não dei propriamente aulas. Mantive animais selvagens dentro de uma sala, em cativeiro.

 Post-Scriptum: Já estou em casa. São 20.20 horas.. Entrei às 8.15 e tenho ainda um serão de testes e trabalhos para ver, mais as burocracias de actas e outras. Uma vista de olhos pelas notícias do Público, e verifico que uma aluna CEF agrediu violentamente uma professora em Aveiro. Medina Carreira terá dito que as escolas actualmente são uma bandalheira. Eu acrescento que são um inferno.

 (.... ) Terça Feira 17\03 

Não é por ter decido relatar esta semana em termos de indisciplina que estou mais atento para ela, ou que guardo alguma expectativa. Sobretudo por causa disso até gostava de ser agradavelmente surpreendido com um dia sem problemas de maior. Infelizmente ainda não foi hoje...

8.15 horas - Quando passo o portão, os quatro alunos da ocorrência ("ocorrência", até já usamos linguagem policial) de ontem 14.55 horas lançam um grito:

- Ó setôr, quando é que dá as cadernetas que ontem roubou à gente?

Hesito. O que fazer? Os pais olham, com ar crítico, e imagino-lhes a conversa, "Ao que isto chegou... "Eles" não se dão ao respeito e depois admiram-se...". O costume.

No caso de eu ir pedir satisfações aos meninos, estes rir-se-iam na minha cara.

No caso de eu apresentar a queixa, na Gestão achar-me-iam "picuinhas".

No caso de eu espetar duas lambadas nos meninos, era uma chatice das antigas... 

10.20 horas - O Carnaval foi há umas semanas. Um aluno apareceu-me completamente encharcado. Não foi um balão de água. Foi um saco de água. "Brincadeiras"...

12.15 horas - Uma pedra do exterior atingiu um aluno na cabeça. Ninguém viu...

13.50 horas - No intervalo, o tal aluno de nome Raimundo, da turma especial, andava a apalpar e beijar as funcionárias todas. Vi de longe e fui pela escada, dei a volta pelo 1º andar, para não ser obrigado a passar calado, ou, em alternativa, apresentar mais uma participação e esta ser desmentida pelas funcionárias, que têm medo dos alunos - e é caso para isso.

14.30 horas - O barulho é insuportável. Saio da sala para ver o que se passa. Uma festa de boas-vindas a um aluno que esteve gravemente doente, descambou num caos. É uma turma do 5ºano. À janela, um dos alunos grita obscenidades a quem passa, enquanto a professora tenta desesperadamente pôr ordem na turma, que perdeu o controlo. O aluno que está à janela é um dos que ontem invadiu a casa de banho das raparigas. Os pais, quando (raramente) resolvem aparecer na escola para tomar conhecimento do comportamento dele, dizem para a Directora de Turma:

- Só se a gente matar o rapazeco...

É gente que vive do tráfico de drogas.

Às 16.30 horas acabei as aulas do dia.

O saldo não foi mau, em termos relativos. Agora estou a escrever estas breves linhas no intervalo de trabalho administrativo. Estou a tirar faltas e a lançá-las no sistema informático, e a redigir cartas para os Encarregados de Educação para enviar em correio registado.

 Hoje almocei, dei seis blocos de aulas e tenho agora duas horas de trabalho em que ninguém me aborrece, como em qualquer profissão. É pena que seja trabalho burocrático, repetitivo, redundante e sem interesse para mim. Eu escolhi ser professor. Não o tenho conseguido ultimamente.


Recebido por via email do irrelevante

Comentários

  1. Ainda bem que NÃO escolhi ir dar aulas. Estou mto bem na investigação...

    Bjinhos

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  2. Lembro-me que num dos primeiros artigos de Santana Castilho (na extinta revista Pontos nos ii) ele dizia que o maior problema da educação, de que MLR devia tomar consciência, era o problema da indisciplina. Mas a ministra, na sua cegueira, nunca compreendeu isso. Pelo contrário, desautorizou os professores e ocupou-se em lançar as escolas na desestabilização, em vez de decidir medidas que dêem meios aos conselhos executivos para poderem tomar medidas eficazes que seriamente punam esses alunos desde suspensões imediatas até a medidas que responsabilizem os pais, como já é feito noutros países.
    Se o problema da indisciplina já era grave, esta ministra desautorizou as escolas e lançou-as no caos.

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  3. E pensar eu que não segui a carreira de professor do Ensino Secundário porque não me augurou nada de bom a experiência que tive, logo a seguir a ter tirado o meu curso.
    Naquele tempo, 1966, os tempos eram diferentes, muito diferentes do que são hoje. Em dois anos em que fui professor, ainda era muito jovem e esse era o meu principal problema. Mesmo assim que me lembre tive raros problemas disciplinares.
    Aquele que considero mais grave:
    1) À entrada da Escola, um rapazola aluno, que eu tinha expulsado duma aula, dias antes:
    Um dia destes dou-lhe um enxerto de porrada que é para aprender:
    Resposta: Pois sim. Fica desde já combinado o seguinte: Ao fim do meu tempo de serviço, quando sair da Escola, vamos resolver essa questão, de homem para homem. (quem é que hoje faria uma coisa dessas???? para ser despedido?).
    Conclusão: o mariola nunca mais se me dirigiu a dizer ou a fazer o que quer que fosse;
    2) Aula de Direito Civil. Dou ordem de expulsão a uma aluna; a colega a seguir diz-me que se a amiga for p´rá rua ela também vai; seguiu-se outra, nos mesmos moldes.
    Passei.me dos carretos e resolvi o problema à minha maneira:
    - meninas, fazemos assim: eu, o professor, vou dar uma volta, as meninas ficam na sala e caladinhas, ok?
    - Não tugiram nem mugiram.
    Falei com o Director (era assim, havia um Director Geral e Directores de Curso) a contar o sucedido e fui até ao jardim da cidade completar o tempo de aula.
    Não se falou mais no assunto. O Director acabou por falar com as miúdas.
    Para além de mais umas questõezitas de somenos importância.
    Agora pergunto eu: Hoje seria possível estes dois casos desta maneira? E a minha avaliação de desempenho, como seria? E a desgraça da indisciplina consagrada nos regulamentos?
    Ai que ricas lambadas estão a fazer falta nos tempos que correm! Sem represálias injustificadas pelos regulamentos, claro está!
    A psicologia "da batata" está a resolver alguma coisa? Acredito que sim, em casos pontuais.
    Mas há que, urgentemente, se reforçar a Autoridade dos Professores. E os Paizinhos têm que passar a ser responsabilizados civil e criminalmente actos dos seus filhos.
    A ver se as coisas não entram nos eixos!
    E mais. Quem não tiver aproveitamento escolar mínimo, vai fazer serviços comunitários durante um tempo consoante a pena aplicada por uma Comissão Disciplinar que tem de existir em todas as Escolas!
    O que se está a passar é revoltante! E somos nós, os adultos, que nos estamos a acobardar!?
    ...
    etc
    Um grande abraço, Agostinhno
    António

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  4. Os nossos desgovernates são o espelho desses meninos.Que é que eles podem temer,quando sabem que se derem uma sova num professor,não passara de mais uma pequena conversa com algum "responsavel da educação?".Quando se vê,que o marido mata a esposa e que fica em liberdade,a esposa mata o marido, igual,o namoradao mata a namorada idem,roubam-se milhões são condecorados,trafulhice em cima de trafulhice são ministros,se um agente da autoridade da um tiro num ladrão é o Policia ou o GNR que vai preso.Num Pais onde ha ladrões,assassinos,corruptos,senhores que podem fazer cigarros com notas de dinheiro,e ,ninguém vai parar a prisão,esses mariolas de "estudantes"podem fazer o que bem lhes apetece,porque os culpados estão em S. Bento e na Assembleia da Republica .Esta a chegar o dia da Liberdade,e é certo que não ha Liberdade sem Democracia,nem Democracia sem direito de expressão,mas,é preciso saber respeitar esse direito.
    Coisa essa que hoje uma % de jovens esqueceram o respeito do homem pelo homem,que é o 1° ponto da Democracia.
    Gr. Abraço. Zé Carrapato.

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  5. Podes crer Formiguinha. Ser professor começa a ser muito complicado com estes casos todos. Ainda há pouco tempo ser professor era bastante agradável agora com estas transformações e com a falta de respeito que existe nos alunos deixa muito a desejar e só vai para professor quando não existe alternativa. Assim digo ao meu filho que será a última escolha que ele fará. Bjs

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  6. Nos tempos que correm António, só por dizeres ao aluno que se ele quisesse resolver a questão a podia resolver quando acabasses o teu serviço, eras logo catologado de falta de responsabilidade e não saber lidar com os alunos. Perguntavam-te onde está a psicologia do professor para tratar dum caso destes? Que ensinamentos lhe estavas a dar se não oferecesses a outra face como diz as escrituras. Olha aquela de saír fora da sala..quando lá chegasses já não havia lugar para ti. tinhas os pais à perna a dizer que o professor não tem perfil para tratar um assunto de indisciplina na da sala. Estavas tramado. Embora exagerado não fica muito longe daquilo que digo.Por tudo isto digo é muito complexa a situação devido à falta de respeito e a falta de autoridade do professor. Todos mandam menos o professor..E quem criou esta situação? Não foram os professores mas aquilo que ficou ao longo destes 4 anos sobre a legislação contraditória emanada de todos sabemos quem.Gr. Abraço António.

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  7. Parece-me que se o objectivo da MLR era rebaixar os professores conseguiu. Agora todos mandam e só os professores é que são chamados à responsabilidade. os Pais desses alunos mal educados, que só perturbam ainda vão por cima exigir que os filhos passem porque a obrigação do professor é passar os alunos como dá a entender à opinião pública o MLR. Bjs isabel

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  8. Completamente de acordo Zé Carrapato. Há uma impunidade na justiça e ela reflecte-se a todos os niveis. A democracia não é isto mas o respeito por todos coisa que não está a acontecer neste Portugal de Abril. Gr. abraço

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  9. Gostei de ler este testemunho.

    Tenho tido alguma experiência a dar aulas com turmas de cursos CEF.

    São quase sempre alunos problemáticos, mas pela experiencia pessoal e pelo que ouço, variam muito de turma para turma e de escola para escola. No ano passado tive uma turma de Operador de Informática, de nível 2, que foram bestiais. Trabalharam bem no estágio, e hoje estão a dar continuidade no Emídio Navarro, e Mariana Seixas, e por aí fora, em cursos de nível 3. Foi uma satisfação enorme trabalhar com estes miúdos.

    Já este ano tive uma experiência com os CEF deveras… diferente. Uma turma de Electricidade de Instalações, muito parecido com as turmas desse e-mail. As reuniões semanais da equipa pedagógica eram um autêntico desfile de horrores. Como diz aí, as aulas consistiram em conseguir manter animais selvagens da pior espécie, dentro de uma sala de aulas, e conseguir sair de lá intacto. Por acaso, terminei hoje mesmo a minha disciplina com eles. Livrei-me.

    Os cursos CEF vieram dar mais oportunidade a alunos que não encaixam na oferta normal do sistema de ensino, e que doutra forma teriam abandonado a escola. Por outro lado mantêm abertas as portas da escola a muitos alunos que só lá estão para provocar o caos.

    É uma faca de dois gumes.

    É inacreditável, mas há alunos CEF, sobre os quais podemos antever, se daqui a dez anos tiverem num patamar de vida que lhes permite tomarem banho pelo menos uma vez por semana, e não andarem a roubar carros… a escola pode reclamar uma pequena vitória.

    Por vezes o que é mais assustador é a ausência – total e completa – dos pais na educação humana dos filhos, já nem se fala no acompanhamento do percurso escolar.

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  10. Boa noite. Antes de mais queria dizer que as escolas de Portugal estão cada vez piores. Já parecem de filmes americanos como o filme "The Principal" acho que alguns desses alunos deviam ser assim tratados com naquele filme. Já não há ' respeito por ninguém Mas eu também tomo culpa aos pais que hoje em dia deixam fazer tudo e mais alguma coisa aos seus filhos. Os pais e professores portugueses tem que tomar uma decisão , e espero que seja boas para todas as partes. Eu também andem nesta escola quando abriu e já nessa altura era um pouco a virar para esse lado violento. estou a ver que não mudou nada. Mas continua Agostinho porque você e um bom Professor e muito boa pessoa. Forca!!!!!!!!!!!!!! Ate breve.

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  11. O teu testemunho embora não tão incisivo deixa "entre linhas" e é perceptivel o horror que se vai passando nas escolas, Filipe. Saír-se ileso depois duma aula com este tipo de alunos só com muita sorte e muita coragem para aguentar toda esta falta de educação. Alguém com responsabilidades politicas no nosso país disse em tempos atrás "há alunos que não são educáveis" e eu começo a duvidar daquilo que pensava na altura e achar agora que ela tinha razão. Não haja dúvida que o principio da integração destes alunos que saem um pouco do percurso normal da escola, é um bom principio na teoria, porque na prática abre caminho a todos aqueles que só fazem distúrbios e não querem nada da escola, sabendo eles que andam por ali sem obdecer a regras ao completo desvario. Para outros mas pouquissimos até aproveitam e conseguem ir mais longe o que se pode considerar na recuperação desses como sendo um principio positivo.Esperemos que as coisas melhorem. Gr. abraço

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  12. Viva Carlos Amaral!.

    Carlos o testemunho que está aqui não é meu nem da escola a que acho que te referes. É um testemunho que chegou-me à caixa de correio e coloquei-o porque é um testemunho impressionante que relata um pouco o que se vive nas escolas. Mas podes crer que é o que se passa em muitas das escolas...é a falta de respeito e a falta de responsabilização de quem pratica estes actos, do aluno ou dos pais.Gr. abraço

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  13. Na altura em que era aluno o professor tinha bastante + autoridade de que hoje. Havia, era verdade, muito + respeito!
    Existiam no entanto alguns casos de indisciplina. Alguns alunos a quererem levar para maus caminhos outros que andavam mais direitinhos. Os + "direitinhos", como eu, eramos algumas vezes rejeitados e sentíamos-nos um pouco marginalizados. Mantive no entanto, devido á educação que me foi dada, o meu lugar e a esperança de que com o tempo as coisas iriam mudar. Os "artistas" de hoje, idolatrados por alguns outros alunos, seriam os "tristes de amanhã".
    O que fui vendo ao longo dos anos deu-me razão. Hoje em dia sou uma pessoa formada e com valores morais e cívico, considero que tenho uma boa vida.
    O que é que aconteceu aos "artistas" de ontem? Alguns são marginais, delinquentes, outros passam por dificuldades, não têm formação etc....

    Minha conclusão: a Educação é muito importante e com o caminho que se está a seguir hoje temo pelo futuro de Portugal. A ver vamos....

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  14. Viva David Almeida,

    O tempo vem dar razão aqueles que aproveitaram o que a escola lhes oferecia.
    Esses os menos direitinhos ou por outras palavras os malandrões, a maioria deles sente agora na pele aquilo que não procuraram ser e porventura conhecemos alguns que se sabe bem onde andam. Naquela altura pareciam uns herois, eram lideres incontestados e muitos os seguiam, os outros que os não seguiam eram considerados os betinhos e hoje têm uma vida mais aprazível e respeitada. Uns também tiveram pais que os orientaram, enquanto outros faziam o que lhes apetecia e os pais não ligavam. Mas na minha altura de escola também era igual e não se julgue que é de agora que os mais certinhos e estudiosos eram alvo de chacota daqueles que nada queriam e só perturbavam. Para se singrar é preciso sacrifícios e uma boa orientação dos pais. Foi assim mas agora só é pior na falta de respeito porque parece que esta se generalizou. Gr. abraço.

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  15. Deve ser muito irritante não conseguir fazer nada nessas situações. Ora no meu caso, como professora das AEC's já me apareceram algumas "ocorrências" que me puseram os cabelos em pé. e quando não tenho alunos mal criados tenho os pais à perna...ainda mais mal educados que os filhos... e estou a falar de miúdos do 1º ciclo.

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  16. Eia cum catano.
    Na altura em que andava a estudar se me espigasse muito o mais provável era levar com dois bofetões na tromba e estava o caso resolvido .
    Sinceramente não tenho muito estômago para essas coisas.
    Lidei muitos e muitos anos com pessoal de um bairro degradado aqui da minha zona e quem me ensinou a lidar com eles, foi um cigano ao dizer-me: Nunca mostre medo. Se o fizer eles têm-na mão. Enfrente-os sempre.
    E foi isso que fiz e lá impus o respeito.
    Em relação ao estás f*****, ó meu amigo só temos que deixar que a loucura se apodere de nós e falarmos tal e qual a mesma linguagem. Taco a taco fazemo-nos entender.
    Quando to voltarem a dizer, respondes:
    Então não vou pedir que não voltes a tocar nos meus alunos. Vou-te dizer o seguinte: se voltas a tocar nos meus alunos quem te f*** essa boca toda sou. Fiz-me entender?
    E fazes como eles o fazem; falam a um palmo da nossa cara.

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  17. O que vai ser destas crianças no futuro Suéli? Tão pequeninos e já se pautam pela má educação. São miúdos que lhes falta um referencial adulto com responsabilidade e em casa não o tem. Abraço

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  18. Pois é Yulunga...assim teriamos além dos pais o próprio ministério à perna. Mas...acredito que muitos deles até endireitavam. Bjs

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  19. Mas podes crer que resultava, até porque a maioria nem iria contar nada aos pais, acredita.
    Em relação ao Ministério é só dizer-lhes, saiam lá do gabinete e venham vocês lidar com este pessoal ressabiado.
    Para os pais vou "ensinar" um truque
    Aparaces com ar tresloucado, pôes um bocadinho de Alka Seltzer na boca e vais ver como espumas. Está resolvido!

    Mas sabes, Agostinho, estas atitudes por mais que as associemos a pessoas com problemas sociais, julgo eu, que não é nem de perto nem de longe o principal motivo. Pobreza nunca foi nem é sinónimo de má educação. É uma questão de perca de valores. Porquê, não faço idéia; os estudiosos que o expliquem.

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  20. Para um louco só com outro louco, será Yulunga? Tratamento igual. Não será a melhor forma, acho eu. Mas continuando a má educação não tem nada a ver com a pobreza e muitos destes meninos os seus pais até estão bem situados na vida.Tem a ver com regras e com os modelos que têm em casa. É a tal falta de reponsabilidade que existe nalgumas familias.

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  21. Claro que a melhor forma não é essa Agostinho, claro que não. Para um louco só outro louco poderá funcionar pelo factor surpresa, só isso.
    Vou-te sugerir um livro.
    "A Arte da Guerra" de Sun Tzu.
    É um livro de estratégia militar que foi escrito no Séc. IV e que hoje em dia é muito utilizado até por gestores e não só. Tira-se de lá muitos ensinamentos de como sobreviver, como lutar, estratégias, de como se pode usar a força do adversário em nosso favor, de como vencer. Tudo isso aplicado, nos dias de hoje, não às guerras, mas aos desafios com que nos deparamos diáriamente.
    Depois diz qualquer coisa, caso o leias.

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  22. Estás bem apretechada Yulunga...Estou a ver que isto não é novidade para ti. Obrigada pelo conselho e se por acaso vir esse livro lembrar-me-ei de comprá-lo. Bjs

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  23. Boa tarde,

    Já fui aluna, e nem de perto ou de longe, nós alunos podíamos abusar nas salas de aulas.Se assim fosse, seríamos logos expulsos da sala. Hoje em dia tenho um filho de 8 anos, que frequenta uma escola privada, onde está proibido por mim de faltar à educação aos mais velhos, e principalmente à professora. O meu filho, e muitos dos filhos que lá andam, têm consciência que se abusarem, ficam a fazer "trabalho voluntário", que vai desde ajudar a limpar o chão, a colocar o papel higiénico nos WC´s. Sei que não posso comparar as escolas públicas com as privadas, mas se fosse feito alguma coisa nesse sentido, o de castigar cada vez que não se comportam, talvez mudasse alguma coisa, e também sei que hoje em dia, não é possível faze-lo, mas está na hora de alguém abrir os olhos para esta nova realidade. Se alguém mata alguém é poque "coitado" tem um desiquilibrio qualquer, e não porque simplesmente é mau por natureza, e tudo lhe é perdoado. Não sei como foi viver o tempo da ditadura, mas sei dizer, que nos tempos que correm, um SALAZAR em casa esquina era pouco. Espero que os professores não desistam de ensinar, pois é uma das profissões mais bonita que há.
    E concordo com a maioria dos comentários que aqui li.

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  24. Bom testemunho o teu Sónia Graça.Concordo plenamente. Bjs

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  25. Faz muito bem em contar o que se vai passando nas escolas. Em ambiente tão ruidoso é impossível aprender, mesmo para aqueles que estão disponíveis para o fazer.
    Eu fui professora 33 anos , percebo muito bem os seus desabafos.
    É preciso ter coragem para escolher esta profissão.
    Desejo que vá tendo sucessos nesta "luta" desigual.
    M.H.

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  26. É bom M.H. na minha opinião que se dê a conhecer os problemas que a escola enfrenta. E agora com a escolaridade obrigatória de 12 anos o que vai ser com este tipo de miúdos. Vão-se ter que arranjar alternativas porque todos aqueles que têm expetactivas de sucesso para o futuro não podem ser prejudicados.

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