Fragmentos da Discórdia (avaliação de professores)
Esta política educativa é um jogo de máscaras com os actores de costas voltadas.
Atente-se na lúcida análise de Matias Alves:
Para compreender o facto evidente de um grande número de professores (ninguém sabe ao certo quantos, que percentagem....) estar desalentado, esgotado, descrente e descontente, é preciso lembrar um conjunto de decisões que intensifcaram, desautorizaram, retiraram direitos e limitarem severamente as expectativas profissionais. A saber, ao longo desta legislatura:
i) a criação da ideia (falsa e alimentada pelos círculos do poder) intensamente mediatizada de que os professores trabalharam muito menos horas do que os colegas europeus;
ii) a imputação implícita de que os professores eram os principais responsáveis do abandono e do insucesso;
iii) a generalização da ideia de que os professores tinham um salário muito acima da média da UE (uma generalização também falsa);
iv) aumento da carga lectiva dos professores do ensino secundário (num contexto em que o exercício profisional é muito mais complexo);
v) eliminação da redução de tempo lectivo quando se atinge 40 anos de idade, diferendo-a para os 50 anos;
v) prolongamento da idade de aposenteção num contexto em que ser professor é muito mais desgastante;
vi) aumento da presença obrigatória dos professores nas escolas mesmo que não tenham objecto, nem condições de trabalho, de modo que um nº indeterminado de professores se sente prisioneiro de um sistema desumana;
vii) aumento obejctivo do tempo global do horário de trabalho, havendo picos em que se chegam às 50 e 60 horas semana;
viii) redução administrativa do vencimento da grande maioria de professores em termos da progressão na carreira;
ix) desautorização real e simbólica dos professores generalizando e enfatizando casos e situações de desprofissionalismo;
x) exigência de exercício de papéis e funções próprias de auxilares da acção educativa, numa lógica de proletarização docente;
xi) fractura das identidades profissionais.
xii) implementação de um sistema de avaliação insensata e irresponsável que lançou a mais completa desordem.
xiii) a catadupa de normas e legislação diversa publicada fora do tempo aconselhável.
Com isto não quero rasurar medidas e aspectos positivos. Não quero branquear comportamentos docentes indignos. Mas os climas que se vão vendo não pode deixar de nos interpelar e encontrar as explicações possíveis.
In http://www.terrear.blogspot.com/
Quem fala assim....
Contribuição do Arte por um Canudo 2
Burocracia (avaliação dos professores)..
e muitos mais...não poderia estar calado porque há muito tempo que a burocracia e a forma como estão a ser tratados os assuntos da educação incomodam. Não basta os senhores do ME dizer que a avaliação dos professores é para aumentar a qualidade do ensino e imporem um modelo que todos sabem que é demagógico, burocrático e meramente economicista. Este modelo não traz melhorias à escola e muito menos às aprendizagens dos alunos, burocratizam o papel do professor fazendo-o gastar energias e rios de horas em pilhas de papeis que podiam muito bem ser aproveitadas em melhorias, nomeadamente em materiais pedagógicos ou em reflexão das actividades educativas. Assim não vamos lá..
Só para deixar um abraço e encorajar a vossa luta. Não adormeçam. Um bom fim-de-semana.
ResponderEliminarÉ para a estatitisca.
ResponderEliminarDivulgação
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Tudo isto faz parte do afã reformista, que tem esta leitura: mudar, mas não necessariamente para melhor. Frenesi dum desgoverno que apelidou a classe docente de «professorzecos».
ResponderEliminarApesar do desmedida paixão que esta gentalha atesta ter pela piedosa Educação, têm invariavelmente atropelado o ensino para descaminhos.
Esta avaliação do desempenho é, na essência, um circo de compadrio, uma vil vergonha ao criar um dilema subtil e horrendo, à margem verdade pedagógica: ou as notas ou a carreira.
Mais: não sei o que pretendem com aquela «participação qualificada de agentes da comunidade local» no novo regime de gestão escolar.
O meu avô, que era um sábio, dizia: «isto mudar, muda; mas nunca melhora»!
É certo que entre outras coisas, faltou um debate prévio sobre a melhor forma de fazer a avaliação de professores, mas devo dizer que enquanto professor contratado que será avaliado este ano, recuso-me totalmente a associar às posições e ao estilo de protesto que a Fenprof, outros sindicatos e muito professores têm adoptado.
ResponderEliminarSei que isto não é propriamente uma posição muito bem aceite dentro do ramo, mas acho com toda a honestidade que o tipo de protesto e os argumentos muito peculiares que se tem feito ouvir, só têm sido contraproducentes e altamente prejudiciais para a profissão de docente.
Fazendo um pouco o papel de advogado do diabo: Não me recordo que alguém no governo e nem tão pouco alguém minimamente credível da sociedade civil, tenha culpado ou acusado os professores por todos os males da sociedade, apesar das queixas constantes neste sentido por parte de professores que se sentem atingidos. No entanto isto não tem impedido uma autêntica avalanche de professores a afirmarem que existe esta conspiração alimentada pelos círculos de poder. Junta-se a isto os insultos diários que recebo em e-mails na forma de cartoons, ou anedotas, dirigidos à Ministra de Educação, ou comparações entre Sócrates e Salazar, e o retrato final que se obtém da actuação de quem protesta não é nada positivo. Ousaria mesmo dizer que roça por vezes o absurdo.
Não posso deixar de pensar, que para um observador que tivesse menos directamente envolvido nesta questão (como por exemplo, alguém que não seja professor), deve transparecer a ideia de que os sindicados ou professores querem mesmo fazer-se de vítimas, como opção táctica, face a um inimigo que eles próprios inventaram. Isto parece-me um serviço horrível que se presta a todos os professores.
Admito perfeitamente que posso estar enganado, mas parece-me que de acordo com o tipo de protesto que a Fenprof e muitos professores têm feito, poderão estar eles mesmos a alimentar a generalização da crença nos próprios «estereótipos anti-docentes» que pretendem atenuar gerando um ciclo vicioso que não favorece nem aos professores nem ao sistema de educação.
É a tua posição e é aceitável como qualquer outra Filipe.Mas recordo que muitas vezes os professores foram hostilizados por este governo, ao ponto de a ministra achar que perdia os professores mas ganhava os pais para a sua causa.Também José Sócrates muitas vezes hostilizou os professores, ao ponto de se dizer que os professores não trabalhavam. Não conhece é o trabalho dos professores para insinuar tal coisa.Estou na Luta Filipe e alinhado pela frenprof ou outra organização que combata todas estas mentiras. A escola como está a ser construida, papeis e mais papeis, mais tarde irá padecer. Um abraço
ResponderEliminarCom certeza que existem problemas mas isso só torna ainda mais necessário manter um canal de diálogo desimpedido e sereno entre as comunidades escolares e quem as tutela.
ResponderEliminarSe eu acreditasse que o tipo de protestos que tenho visto até agora, ajudassem a manter esse canal aberto de modo que fizesse valer uma posição sólida, impessoal e credível dos professores, sem a histeria de porta-vozes como o Mário Nogueira, eu seria o primeiro a alinhar na luta e sem reservas.
Neste momento como as peças deste xadrez estão montadas, tenho demasiadas dúvidas para me lançar nestas águas, ainda para mais quando estou ciente, que poderia estar a prestar a minha voz, sem querer, a determinadas organizações políticas, a que jamais prestaria de livre vontade.
Mas como optimista que sou, espero que tudo chegue a bom porto. Se há uma área que merece isso, é a educação.
Creio que o ideal era e cito " manter um canal de diálogo desimpedido e sereno entre as comunidades escolares e quem as tutela". Se estou bem informado foi o que até agora quiseram os sindicatos, todos eles, mas quem fechou o canal de diálogo foi o próprio ME sendo intransigente e autista. Nunca aceitou qualquer emenda ao diploma e fazia tábua rasa disso.Depois vinha a público dizer que os sindicatos nunca tinham apresentado alternativas. O que se vai presenciando são os tribunais condenando o ME. Também sou optimista e espero para ver.Um grande abraço Filipe.
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