Burocracia (avaliação de desempenho dos professores)
Ao ritmo que está a ser produzida legislação relacionada com as escolas e a sua forma de organização, leva-me a crer que a maioria dos decretos, leis, despachos e normas, estão a passar ao lado dos seus actores. São rimas e rimas de papéis que todos os dias é preciso consultar, só que o tempo disponível não chega e estes passam sem se ter conhecimento pelo menos com a consciência do que se está realmente a ler. Vem isto a propósito do novo diploma “Novo regime de autonomia, administração e gestão das escolas” estar em consulta pública aberta à participação de todas as associações e organizações, bem como dos cidadãos em geral, até 31 de Janeiro. Era minha convicção que muitos dos professores estavam em condições de emitir a sua opinião sobre este diploma, quando ontem, dia 10 de Janeiro, são novamente confrontados com a saída em Diário da República do Decreto Regulamentar nº 2/2008 que “Regulamenta o sistema de avaliação de desempenho do pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário”. Sendo este também um diploma muito polémico, que foi agora promulgado sem levar em conta outras opiniões, e que no seu artigo 34º ponto 1 diz e cito “Nos primeiros 20 dias úteis após a entrada em vigor do presente decreto regulamentar são, em cada agrupamento de escolas ou escola não agrupada, aprovados os instrumentos de registo e os indicadores de medida a que se referem os artigos 6º e 8º”. Ora, como se verifica a focalização das atenções passa para este decreto regulamentar da avaliação, deixando o da discussão pública “autonomia, administração e gestão das escolas” para as calendas, porque este diploma sobre a avaliação do desempenho dos professores, prevê só vinte dias para que o processo de avaliação esteja em condições de avançar, com penalizações se os prazos não forem cumpridos. Para isso é preciso que avaliadores e avaliados façam os seus registos e indicadores de avaliação. Não vai ser fácil arranjar indicadores de medida objectiva dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Educação. É um pau de dois gumes que o ME atirou para as escolas. É preciso que haja serenidade neste processo, respeito e igualdade no tratamento, para que ninguém saia prejudicado dum sistema já de si injusto.
Parece-me e creio que o ME fez o seu papel, ocupando mais uma vez os professores para que eles passem ao lado e não possam deixar a sua opinião no actual projecto que está em consulta pública até 31 de Janeiro.
Sobre burocracia implantada nas escolas:
http://arteagostinho.blogs.sapo.pt/183726.html
http://arteagostinho.blogs.sapo.pt/177719.html
http://msprof.blogspot.com/2008/01/s-o-tempo-dir.html
Chamadas estratégias anti opinião de professor.
ResponderEliminarÉ de propósito....eles já decidiram tudo. O resto é só fachada.
ResponderEliminarAté dá vontade de deixar de ser
prof com tudo isto :-(
Bjs
Concordo Pedrito. Manobras de diversão...
ResponderEliminarTambém concordo ex-sulista que a opinião contrária para eles não conta. Mas não deixa de ser uma opinião que nos está a ser vedada.Bjs
ResponderEliminarTambém acabo de escrever no meu cantinho genericamente sobre tudo isto. Já não estou na escola, mas basta-me ler esta corrida de legislação para adivinhar o que se vai lá passando. Mas acrescento que só o tempo dirá o saldo de tudo isto (sobre o qual não consigo ,ter nenhum optimismo)
ResponderEliminarAbraço
IC, são as loucuras dum sistema que quer mostrar reformas mas que não sei para onde vai.Se a papelada que divulgam é reveladora de trabalho, então não haja dúvidas que são muito trabalhadores. O que se questiona é se existe fundamento nesta pilha de papeis. Para eles sim..para quem apanha com eles não. Passei pelo teu blogue e concordo totalmente com o que dizes e aconselho a todos visitarem-no. http://msprof.blogspot.com/
ResponderEliminarForça.Bjs
Tens razão no que dizes. Com tantas aulas para dar é difícil estar a par, ao pormenor, de tanta legislação cruzada. Ou se ensina, ou se é especialista em burocracia educacional...
ResponderEliminarInfelizmente, parece-me que os próximos tempos irão ser muito difíceis nas escolas portuguesas, abrindo-se uma guerra entre professores, na procura da sua pequena parte da quota de avaliação.
Quanto à gestão das escolas, é a passagem da lógica colegial para a "reitorização" individualista das nossas escolas... Miserável!!!
Peixoto, ainda agora ouvi uma comunicação na rádio duma palestra sobre educação em Coimbra, onde se dizia que o professor tem tanta regra e tanta legislação sobre si que para a abranger tem que ser um especialista em burocracia.A sua função está cada vez mais descaracterizada e as suas energias estão a ser canalizadas para a papelada.Mas tudo isto tem um objectivo que muito em breve se verá...um grande abraço
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