Quem manda nas escolas?

 


A bisbilhotada semanal vai para aqueles que pensam que o atual modelo de gestão escolar é um modelo autoritário e com poderes ilimitados e querem substituí-lo por outro com poderes que advém da colegialidade e da partilha.


Tudo bem, mas quem pensa que o atual modelo de gestão escolar na pessoa do diretor tem poderes capazes de fazer a mudança nas suas organizações, está bem enganado.


É verdade que em 2009, no governo da Ministra da Educação Mª Lurdes Rodrigues, foi criada a figura do diretor mas nunca lhe foram atribuídas competências essenciais de gestão alargada e de autonomia pedagógica, financeira ou administrativa capaz de lhe permitir ser rosto de mudanças organizacionais necessárias.


Quando as organizações sindicais pedem a mudança de gestão escolar, nomeadamente a substituição do papel de diretor, é preciso saber avaliar o porquê deste modelo não ter sido capaz de fazer a mudança de paradigma para a escola de qualidade que se pretendia. O que faltou? Além das competências que não lhes foram atribuídas tanto pedagógica, financeira e administrativa, também não foi reposta a autoridade do diretor enquanto professor.


O diretor tem que se sujeitar a todo tipo de queixas, para isso, tem que saber ouvir para poder saber atuar: queixas dos alunos, queixas dos encarregados de educação, queixas dos professores e queixas dos funcionários. São conflitos que embora pareçam menores têm que ser solucionados e levam o seu tempo a ser resolvidos. Neste tipo de queixas embora de menor quantidade estão as também consideradas graves que levam muito tempo a ser solucionadas.


Os diretores como qualquer instituição, seja do estado ou privada, deviam ter um gabinete de crise onde tivessem pessoas especialistas na lei criminal e penal (leis da justiça). É sempre um problema para quem não está dentro dos códigos e procedimentos das leis da justiça e estar a elaborar inquéritos e investigações, em situação de conflitos, para apurar a verdade. O pior é que quando se apura a verdade e um dos sujeitos não está de acordo, é um problema de todo o tamanho. Imagine-se que por não estar de acordo com a investigação que foi feita o acusado vira o processo fazendo queixa no tribunal acusando quem fez a investigação. Aumenta o problema e o diretor ou seja quem for não tem poder para fazer ver o seu ponto de vista e sujeita-se a ser acusado e ver o seu bom nome enlameado num problema que não criou mas apenas atuou dentro das suas competências que lhe são permitidas.


Se não atua é acusado de negligência e se atua é acusado de prepotência. Preso por ter cão e preso por não ter.


Os diretores pertencendo à classe de professores são ainda perante uma opinião pública mal informada/intencionada os responsáveis pelos males que são atribuídos à escola:


Se os educandos não tem educação, os responsáveis são os professores, mas se os professores repreendem os seus educandos, coitados dos seus educandos que são molestados pelos professores;


Se o educando não come a sopa, os responsáveis são os professores que não os educam para isso, mas se os professores insistem para que eles comam a sopa, logo são acusados de violência para com os alunos que não gostam de sopa;


Se o educando não estuda, os responsáveis são os professores, mas se os professores chamam os pais para serem informados, não aparecem, mas depois dizem que o mal está nos professores que ele tem;


Se o educando perturba as aulas e o encarregado de educação é chamado para ser informado da situação, os responsáveis são os professores que acusam o seu educando por tudo e por nada, porque ele em casa não faz nada disso e é muito educado;


Se o educando agride um colega na escola e depois o seu encarregado de educação é chamado para ser informado, os responsáveis são a escola e os professores que deviam estar a vigiá-los, mas se o professor atua e reprende o aluno, logo diz o educando que quem manda no filho é ele e não tem nada que lhe ralhar;


Poder-se-ia estar aqui a enumerar muitas mais situações em que os encarregados de educação mesmo estando errados têm o poder de emperrar uma escola e difamar quem nela trabalha.


É sempre a palavra de um encarregado de educação que supostamente defende o filho contra a palavra dum professor que quer manter o seu trabalho e perante uma sociedade espicaçada, qual tem mais peso?


O mal das escolas é que todos mandam em desfavor dos seus atores educativos.


Bisbilhotada semanal

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