Um reino em queda..ep1
Desenho a tinta de esferográfica..
Era uma vez…
Um pequeno reino, distante do rebuliço dos grandes reinos, que se situava num pequeno lugarejo pertencente ao grande império-mor. O império-mor, por sua vez, é o senhor de todos os reinos e é constituído por muitos pequenos reinos, maioria do reino, e poucos grandes reinos, estes muito submissos ao império-mor.
A particularidade do pequeno reino é que o seu povo trabalhava e vivia contente com o que fazia, sempre com aquele sorriso de confiança no reino, em resumo era um povo alegre e feliz que prestava as suas contas ao império-mor e cumpria os objectivos da sua missão. Acontece que o grande império-mor gastou mais que o que devia e para poupar uns euros decidiu cortar nos pequenos reinos, mesmo que estes tenham zelado e cumprido com requisitos de qualidade a soberania do reino, juntando-os ou agregando-os aos grandes reinos. Com uma arrochada e a coberto de um imperativo nacional cortam-se as asas aos pequenos reinos.
Também este por ser pequeno, o império-mor resolveu agrega-lo a outro reino da região, muito maior, chamado “mega poupa recursos” que achava que o pequeno reino, por serem felizes e terem vastos recursos, era um reino de mordomias. Então com a bênção do império-mor o reino “mega poupa recursos” decidiu que o pequeno reino não pode viver assim, e trás, toca a tirar-lhe os seus recursos conquistados através de uma boa gestão, transparente e rigorosa, mas aberta e partilhada ao longo dos anos.
O pequeno reino vai resistindo sem muitos dos recursos que tinha e até mesmo sem rei, o que parece não ser do agrado do grande reino “mega poupa recursos”.
No pequeno reino, cada problema que surgisse tinha uma solução bem determinada, agora por mais pequeno que seja o problema é um problema sem solução, porque os problemas do pequeno reino são muito diferentes dos do grande reino, até o meio é diferente, e este não tem soluções para poder responder a estes novos pequenos problemas.
Os pequenos problemas vão-se amontoando e podem dar origem a grandes problemas que por sua vez podem desmoronar qualquer grande reino.
O império que se cuide…
Obs: Qualquer semelhança com a realidade é pura ficção.
A realidade não estará assim tão longe, não.
ResponderEliminarGrande abraço.
As semelhanças estão por todo o lado. Gr. abraço Aflores.
ResponderEliminarAinda bem que sou apenas um plebeu Bobo da Corte deste pequeno reino.
ResponderEliminarOh "caro escriva" do pequeno reino, parece que vossemecê andava só pelo castelo e não descia ao povoado, se cá viesse, também era daqueles que levaria uma bordoada dos aldeões plebeus cá do pequeno reino.
Vossemecê era daqueles que vivia à farta no Castelo, mas o que é facto é que cá por baixo pelo povoado ninguém acreditava no "Rei" e nos seus diletos seguidores que viviam à farta na lauta mesa do mesmo e que achava que sendo "rei" (e afinal não era mais que um mero governador de um pequeno reino), tudo geria a seu bel prazer como se fosse um autocrático e emproado senhor.
Gostaria era o povo, ralé que era obrigado a deixar que os seus rebentos fossem ao castelo para ficarem mais cultos, que um dia verificassem tudo direitinho e aí sim se veria se afinal a tal figuraça teria governado mais para os seus diletos seguidores, ou para os seus súbditos.
A mentira e a realidade muitas das vezes andam próximas, mas neste caso, credo, cruzes canhoto, Deus nos livre de tal demo belzebu, as mentiras tem perna curta como o Saci do Sitio do Picapau Amarelo.
Embora que ainda paire por aí o dito "Rei" afinal mais parecido com o Governador Gisborne, Saxão, dos Reinos do Norte, estou convencido que faltará pouco para que este saia do novo Grande Reino.
Se isso acontecer não terá qualquer hipótese de importunar o povo aqui do pequeno reino.
Ah e já agora pode ser que leve com ele este escriva, que mais não é que uma mero arauto de recados encomendados pelo apeado "Rei".
Este texto é um extrato retirado de um conto que um dia tenho para publicar, assim haja uma editora interessada.
Caro Bobo da Corte, "vossemecê" é um mestre em contos. Gostei deste texto engraçado, mas digam-se as coisas como elas tem que ser ditas, cá na terra do vinho e da lavoura, o nosso maior problema foi o povo ter receio que fizessem mal aos nossos meninos. E por isso tantos de nós nos calámos a tanta coisa, às vezes Deus escreve direito por linhas tortas.
ResponderEliminarTambém vivi naquele pequeno reino e lembro-me de vossa senhoria o Bobo da Corte que na altura era feliz e entretinha todos, não todos, só os da burguesia com o senhor nosso rei. As suas brincadeiras bem aceites pelo rei nunca foram postas em causa naquele pequeno reino, mas muitos sabiam que havia uma conspiração contra o rei e vossa senhoria o Bobo da Corte era apontado como o principal matador do rei.
ResponderEliminarSem rei acabava-se o reinado o que levou o povo a temer que tal acontecesse e apesar das boas palavras, das promessas que vossa senhoria fazia, foi denunciado ao rei.
Foi deposto pelo rei e exilado deste pequeno reino. Constam os novos ventos que um reino distante lhe deu guarida e tal como tinha feito no anterior pequeno reino, armou uma conspiração contra o rei e conseguiu levar a melhor, sendo agora o rei, embora dum pequeno reinado também.
Consta também que reina a seu bel-prazer, com punho firme em torno das leis, muitas vezes lesando o povo que não está feliz e puxando o lustro das botas dos grandes reinos.