Postal de Parada de Gonta..66 /Rio Pavia - Anos 60
Caro Dr. Agostinho:
De vez em quando, não tanto nas vezes dos quandos que desejava, mas nos quandos que as vezes me têm permitido, aqui tenho vindo ao "Arte por um canudo" perguntar pelas novas da minha terra.
Tão relevante têm sido, também, assim o confesso, o rebuscar, "nos fundos dos meus baús", as memórias que por lá fui arrumando, amontuadamente.
Por coincidência ou não, nos últimos tempos, tropecei nuns arrumos que por lá escondi, e que devo ter feito lá pela década de 60 do século passado.
O assunto é o mesmo que hoje apoquenta, angustiadamente, duas moças, que identificou como Rita e Bárbara, e que se debruçaram sobre estado calamitoso em que se encontra o nosso Rio Pavia.
As moças têm toda a razão em alertarem a comunidade para o problema.
O Rio Pavia não deixa ninguém indiferente.
Ontem, como hoje, o Pavia sempre foi tema de respeitos e de amizades dos paradenses para com ele, principalmente dos jovens.
Também os jovens de há meio século podiam falar do Rio Pavia da maneira como lhe mando, porque o Pavia Rio era o que documentam as fotografias que aqui lhe remeto.
Porque há profundas razões para as preocupações da Rita e da Bárbara, que deixam o apelo às autoridades, aqui deixo um pequeno contributo do tempo em que as cidades não tinham ainda as ETARs a funcionar.
A "arteagostinho" caberá, se assim o entender, proceder ao arranjo gráfico do conjunto, e dar-lhe o uso que lhe aprouver, num contributo para a consciencialização do problema, com a ajuda do "Arte por um canudo".
Um abraço
São estes momentos que obrigam à continuação do Blogue. Um agradecimento especial ao Paradense que enviou as fotos e o poema.
Muito obrigado Dr. Riquito
O POST a que o Dr. Riquito faz referência é este “Alerta de 2 jovens Paradenses”
PAVIA RIO
As águas andadas, paradas
Nas planuras das levadas,
Deste meu rio Pavia,
São águas puras e calmas,
Capazes de limpar as almas,
De todas as vidas sombrias.
Preguiçoso em seu leito,
Neste curso mais estreito,
Do moinho dos Romões;
Vêm dos Saguchos ao Vieiro,
Bordejado de amieiros,
Beijar choupos e chorões.
Quando desce os degraus,
Das represas de calhaus,
As mães de água dos moinhos;
É melodia - cantata,
Em pequenas cataratas,
Bailando em torvelinhos.
Moinhos de mós cansadas,
Com tremonhas já caladas,
Ninguém melhor do que tu,
Recebes com devoção,
O milho do nosso pão,
E o tornaste em “sagu”.
É nas invernias cheias,
Som e água ali sem peias,
Que se torna mais troante;
Transborda fora do leito,
Arrasta tudo a eito,
Segue lesto a jusante.
E nós ouvimos à noite,
Ninguém haver que se afoite,
A calar a sua voz;
São os serões ao borralho,
Ou as jogadas do baralho,
A sonhar verões p’ra nós.
Quando então chega o calor,
E tu, dolente tenor,
Regressas ao curso normal,
Descemos adentro de ti,
E a “mimosa” sorri,
Espreitando do pinhal.
Entre nós e a natura,
Há devaneio que dura,
Os tempos de mocidade;
Mas o meu rio Pavia,
No amor ele porfia,
Por ser lugar sem idade.
Mais uma vez Obrigado!..
Dr. Riquito
Caramba, Agostinho!
ResponderEliminarFiquei quase de lágrimas nos olhos!...
A rebobinar o filme da minha vida, a rever-me no Verão de 1967 a aprender a nadar...já crescido, já eu tinha vindo para Leiria, à vida - que queria compatível com o curso que tinha acabado de tirar - a começar como professor do então 6º grupo na Escola Domingos Sequeira (então Comercial e Industrial), a rever a minha mãe a encaminhar-se com o carrego da roupa para os lavadouros da Ribeira em plena cidade de Viseu...
Será que ainda vamos a tempo de recuperar a beleza e pureza das águas dos nossos rios? De todos, particularmente, o nosso Rio Paiva e, aqui mais abaixo, o Rio Lis.
Um grande abraço. Obrigado, Dr. Riquito!
António
ERRATA AO COMENTÁRIO ANTERIOR
ResponderEliminarQueria dizer, RIO PAVIA, obviamente...
É que também corre por aqui um rio que se chama Paiva. E também temos um muito querido rio com esse nome Rio Paiva, no Vale da Paiva, ali entre Castro Daire e S. Pedro do Sul, a acenar lá para os altos das serras de Montemuro, Marão, S. Macário, Agra (local que era paradisíaco, até que um terrível fogo, este ano, o traumatizou dramaticamente para muitos anos, mas que há-de recuperar, tudo tem que ser feito para isso).
Mais um abraço
António
Belos tempos quando a água corria livremente sem poluição. Saudades dos banhos na levada. Bricavamos sem riscos e iamos ao banho em conjunto.As maiorias das nossas brincadeiras eram passadas nesse lugar.É bom recordar as a´guas limpidas do rio pavia.Também um agradecimentoao Dr. Riquito e ao Prof. Agostinho por nos fazer lembrar. O Dr. Riquito penso que seja o Paradense que já foi Presidente da Camara Municipal de Tondela.Obrigado mais uma vez por por partilhar estas fotos.
ResponderEliminarSinto uma certa tristeza de recordar o estado actual do nosso rio que tanta vida tinha no passado. Felizmente ainda tive a possibilidade de conhecer o rio quando este ainda regorjava de vida mas qual será o legado que deixaremos aos nossos filhos?! O rio em Parada tem um enorme potencial turístico... podiamos fazer uma praia fluvial junto á "placa", um parque de campismo um pouco mais acima, um percurso pedestre junto ao muitos moinhos até chegar perto do Crasto...
ResponderEliminarCom o estado actual do rio é uma parte de Parada que está moribunda, quase morta.
Espero agora que os Paradenses saibam dar uma nova vida, especialmente sustentável (pinheiro, carvalhos), a todos os terrenos que arderam este ano.
Se não o fizermos, e após termos perdido o rio e a nossa floresta, teremos perdido parte da nossa alma Paradenses e hipotecado quase irremediavelmente o nosso futuro.
Um abraço
David Almeida
Bons e velhos tempos que passei ai na placa do Rio Pavia. Foi lá que eu aprendi a nadar. Eu adorava quando o professor Pires, Dona Eugenia e Dona Emília nos levavam para dar um passeio ate o Rio Pavia. Era sempre um dia fantástico Deus queira que um dia ainda alguns de nos nos podemos orgulhar deste lindo e maravilhoso lugar que Parada tem mas que não esta devidamente resguardado de lixo e poluição das suas aguas que já vem de outros lugares. A que manifestar esse desagrado, a quem compete. Temos que dar a natureza o que a natureza merece, porque qualquer dia não temos nada para desfrutar na nossa terra natal. Um grande abraço , e gosto sempre de ver estas fotos de outros tempos que já lá vao.
ResponderEliminarNani Mendes;
ResponderEliminarPela beleza da levada e o prazer de fruir das águas limpidas do Pavia (em Parada de Gonta, note-se), valia a pena voltar atrás no tempo!...
Espectacular.
Obrigada, por partilharem comnosco.
Amigo António;
ResponderEliminarAinda vamos a tempo de recuperar tudo para manter a beleza e a transparência das águas, mas para isso é preciso acabar já com as fontes de poluição. Com as ETARs minimizou-se o problema que as alunas falavam da poluição mas só não chega. É preciso que as fonte de poluição deixem de o ser e trabalhem só com produtos verdes. Bom Domingo.
Tó Mané;
ResponderEliminarObrigado pelo elogio e o Dr. Riquito é mesmo o Paradense que já foi Presidente da Camara Municipal de Tondela. Também lhe agradeço a gentileza de me mandar estas fotos e o belissimo poema.
David Almeida;
ResponderEliminarCitando o teu post "O rio em Parada tem um enorme potencial turístico... podiamos fazer uma praia fluvial junto á "placa", um parque de campismo um pouco mais acima, um percurso pedestre junto ao muitos moinhos até chegar perto do Crasto..." Boas propostas para quem de direito ou o poder possa trabalhar nesse sentido e dar vida a este rio que tão belo é.Posso dizer que os elementos da ex-junta de freguesia apresentaram um projecto à CMT nesse sentido, mas o dinheiro..sem ele nada.Mas tb me parece que os novos membros da junta de freguesia têm em forja algo parecido e pode ser que agora arranque.Contudo, a crise sabes bem que está a afectar muitos projectos em Portugal, mas continuemos a ter esperança.Gr. abraço e que tudo te corra bem David na Rep. Dem Congo.
Carlos Amaral;
ResponderEliminarQue bom seria voltar a ter esses lugares como os que contas Carlos. As ETARs remediaram o problema da poluição mas só não chega. Pode ser que o poder veja com outros olhos este rio e faça alguma coisa para o melhorar.Como diz o David, com as propostas que propõe, seria óptimo e tratariamos o rio como ele deve ser tratado. Mas para isso teriamos que criar o suporte necessário e isso implica dinheiro que não abunda por este país, que está a passar por uma crise gravissima.Gr. abraço e que tudo te corra bem nos EUA.
ainda gostava de saber onde é que esse sr.riquito se formou em doutor !!!!......... um chico lateiro
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