Simplex ou Complicadex (avaliação de professores)
Como bandeira de imagem do governo Socialista de José Sócrates, temos vindo a ser bombardeados pela actual equipa governativa com as medidas já alcançadas para a administração pública do famoso pacote “Simplex”. Mas então o que se passa na educação?
A meu ver devia ser um bom principio para a Educação/escolas que continuam a ser muito pesadas na sua organização. Não basta aumentar as horas das escolas abertas, o aumento das cargas lectivas dos professores, o prolongamento dos horários dos alunos, as avaliações de professores e ainda afrontá-los em praça pública para que a escola por magia melhore a sua qualidade, as escolas continuam e cada vez mais a serem confrontadas com papeis e mais papeis, para justificar o que é injustificável, numa teia burocrática que mais parece um “Complicadex”.
São toneladas de papel que se gastam e que podiam muito bem ser evitadas se não fosse a teia burocrática que existe e que precisa de se alimentar.
Já todos se aperceberam das várias vertentes atribuídas aos professores na responsabilidade dum aluno, até pode faltar ou negar-se a participar nas tarefas da escola, que continua a ser avaliado, porque o professor terá que fazer planos e mais planos para as várias situações para que ele possa progredir.
Como se não bastasse, vem agora o decreto regulamentar sobre avaliação dos professores criar ainda mais confusão nas medidas a adoptar. Já não bastam planos e mais planos, porque na avaliação do desempenho dos professores figuram uns parâmetros em que a progressão do aluno está relacionada com a progressão na carreira do professor.
Não são os professores que não querem ser avaliados como se pretende passar para a opinião pública, mas sim a forma como querem que ela seja feita. Não é como dizem que os professores progrediam sem avaliação, porque para que tal acontecesse era preciso frequentar acções em instituições de ensino superior ou outras instituições acreditadas pelo Ministério da Educação, serem aprovados nessas acções e ter os créditos necessários para o efeito. Estas acções não eram no horário normal do professor, mas sim em horário pós-laboral e principalmente ao Sábado. Eram muitas horas a frequentar as tais instituições que parece que ninguém se lembra. Depois ainda era preciso apresentar um relatório crítico do seu desempenho. Se isto não era avaliação então o que era? Andamos a brincar aos cucos.
Mas parece que para se chamar avaliação dos professores é só o que pretende este Governo e o que se passou até agora foi uma brincadeira. Há 30 anos que os professores não eram avaliados, que grande mentira!
Avaliação como pensa este governo é estar condicionado pela passagem dos alunos. Para a confusão aumentar já não bastava este parâmetro estar contido na avaliação como ter outros em que os colegas se avaliam mesmo de disciplinas diferentes. É o país dos despachos/decretos e estes até dão qualificações e sabedoria. Por magia decretada através de um decreto regulamentar pode um professor de uma certa disciplina dizer a outro de disciplina diferente, com larga experiência, que não faz “Correcção cientifico - pedagógica e didáctica da planificação das actividades lectivas” e pode ser prejudicado por isso.
Aqui está outro imbróglio para arranjar instrumentos de registo e medida. Mais papeis. Como se vão fazer? Como se vão observar as aulas dum professor e dizer-lhe que a adequação das estratégias de ensino e aprendizagem aos conteúdos programáticos não estão correctas. Só por magia, porque não existiu qualquer formação, é que pode o professor avaliador ser uma pessoa isenta para poder avaliar o colega.
As escolas estão mergulhadas em papéis e o que realmente devia interessar eram as aprendizagens dos alunos, só que estas estão a ser relevadas para outro plano, porque os professores cada vez têm menos tempo para reflectirem sobre elas e estão cada vez mais preocupados em preencher papeis.
Para as escolas o Simplex... tornou-se um Complicadex.
Esta avaliação é só para facilitar o sucesso dos alunos que constam nas estatisticas para a E.U. e o resto do mundo.Nenhuma avaliação será justa enquanto a condição de uma boa prestação estiver directamente relacionada com o sucesso ficticio daquilo do que se avalia. Existem outros modelos de avaliação muito mais justos só que o governo pretende mostrar por esquemas falsos uma politica educativa correcta. Vamos ver no que isto dá.
ResponderEliminarDe facto não se consegue perceber o que é que esta equipa ministerial pretende. Esta questão da avaliação do desempenho dos professores está a tornar-se numa charada que eu, que até julgava que andava por dentro do assunto e até já fui professor, não consigo perceber patavina da forma de actuar para se atingirem os objectivos mínimos.
ResponderEliminarImagino que os professores devam andar numa roda viva a ver se afinam alguma estratégia possível.
Seria necessdário voltarmos às estradas com curvas e curvas e mau piso, quando já temos auto-estradas?
Não há pachorra!
A minha solidariedade
António
É verdade António que isto está uma cofusão que ninguém se entende. É a minha opinião mas não será diferente da grande maioria dos professores. As energias gastas neste processo mais o tempo que se perde, se fosse convertido para melhorar as aulas, reflectir nas aulas dadas, inovar os materiais pedagógicos, analisar estratégias mais adequadas, seria muito mais útil e melhor empregue.Mas há quem não pense assim e a opinião desses é muito mais válida mesmo com prejuizo dos nossos alunos.Um grande abraço
ResponderEliminarConcordo plenamente , anónimo.Abr.
ResponderEliminarJá ontem, no programa da SIC, o senhor Primeiro ministro na parte da educação não respondia e desviava sempre a conversa dos temas da avaliação. Se os entrevistadores insistissem nas respostas, veriamos um primeiro ministro com ar zangado a dizer que os entrevistadores estavam ao serviço da oposição. O senhor primeiro ministro ao dizer que existem melhorias na educação não conhece a realidade e fala dum país que não é o seu. Como aliás nas melhorias que ele vê no país mas que ninguém mais vê e sente. Não digo o nome porque não sei o dia de amanhã....
ResponderEliminarHoje não falo em simplex nem complicadex. Falemos antes em....aniversarex???? :))))) Não há bolo, nem uma tacinha de qualquer coisa? Hoje, aniversário deste blog?....esquecimento ou...já não vais em aniversários?.
ResponderEliminarToma lá um grande abraço e...Parabéns!!!!! (já lá vão 4 anitos)
Eu , apesar de já estar retirado, sei disso tudo. É como dizes.
ResponderEliminarEsta gente, que de Educação sabe muito pouco, está a soterrar a Escola com papelada, decretos, regulamentos.
Quando, daqui por algum tempo, se der conta de que os problemas. não foram resolvidos e, pelo contrário, foram agravados, vai demorar muito tempo a recompor os estragos.
Esta gente está a fazer batota. Criar a ilusão que temos mais gente qualificada, mais gente formada, mais gente com competências. Balelas.
Quando se for verificar a qualidade dessas certificações, vai dar-se conta que tudo isso foi um logro.
Esquecimento Aflores. Obrigado por lembrares.
ResponderEliminarO problema é esse mesmo Peciscas, todos opinarem sobre aquilo que não sabem.Mesmo os responsáveis do ME, creio que não conhecem o terreno e por isso esta confusão.Também pode ser de propósito e com outros fins que sirvam outros interesses e aí nada a fazer.Abraço
ResponderEliminarConcordo plenamente com o que dizes anónimo. Mas essa de não dizer o nome, creio que por medo, é muito forte e não se coaduna com as regras da democracia. O não estar de acordo ou criticar de forma que acha que devia ser é emitir opinião sobre algo e isso ninguém nos pode proibir. Um abraço
ResponderEliminarPor mais que nos custe a avaliação vai para a frente pois todos somos avaliados desde o gestor de empresa até ao jardineiro. Nas empresas privadas as avaliações já são praticadas à anos, os funcionários públicos , os juízes etc. Meus senhores só quem tem medo do trabalho é contra a avaliação, a escola é dos alunos não foi inventada para dar trabalho aos professores. Os que não servem não podem estar a formar as nossas crianças. A nossa geração é a geração do Blá Blá só promessas manifes reuniões, comissões e comités, vamos à prática ao trabalho e formar os nossos filhos para trabalhar, não para o canudo, como a geração Blá Blá
ResponderEliminarPois é assim mesmo Vitor..Todos têm que ser avaliados e os professores sempre o foram por mais que queiram enganar a opinião pública.O que não querem é este modelo de avaliação complexo e que nada traz à melhoria da qualidade da escola.Querem um processo mais simplificado e que tenha a ver com a melhoria das aprendizgens dos nossos alunos. Nada que implique passar os alunos sem que estes adquiram as competências minimas. É uma questão de ética profissional que os professores não querem perder. Se assim for não precisam de estar na escola porque sabem que transitam ou o professor fica penalizado na sua avaliação.Quando diz que a escola é dos alunos é verdade só que esta é para servir os alunos e não os alunos servirem-se dela.
ResponderEliminarQuanto ao Simplex nas escolas.. ele existe, sendo este mês de Março e Abril importantes
ResponderEliminarhttp://www.escola.gov.pt
Mas não fala de avaliações!