Masoquismo ou medo?
Acabam oficialmente no dia 3 de Setembro as férias para todos os professores.
Depois da imposição às escolas dum modelo de organização dos professores em duas categorias com fins puramente economicistas, com objectivos e fins muito difusos mas que se diziam em prol da melhoria da qualidade da educação, vai começar o novo ano lectivo com as mesmas roupagens e com a tão propagandeada melhoria da qualidade do ensino vista por um canudo.
A clara mudança que houve para este ano lectivo que vai iniciar foi a divisão dos professores em duas categorias: Professor e Professor Titular.
Que é que isto traz de novo para a melhoria das aprendizagens dos alunos ou para melhorar a qualidade do ensino? Nada!..Exclusivamente nada.
Se os profissionais são os mesmos, as escolas as mesmas, os alunos os mesmos, os meios os mesmos, as turmas grandes e com muitos alunos com necessidades especificas, as grandes cargas horárias as mesmas, a gestão a mesma, etc, etc., o que levará o ME a julgar que com estas medidas impopulares da divisão da classe, opinião da maioria dos docentes, vai conseguir inverter aquilo a que chama a rotina da baixa qualidade do ensino.
Será porque houve uma classe que foi dividida por razões especificamente economicistas que os leva a pensar assim? Será porque o grande descontentamento que grassa na classe docente pela maioria das medidas tomadas pelo ME, no afrontamento e mesmo achincalhamento que fez aos docentes, os leva a pensar assim? Ou será que vai impôr a lei da rolha e combater os docentes através do medo? A não ser assim parece querer chamar masoquistas à classe dos professores.
A todos os trabalhadores da Educação um bom regresso à escola!..
OBS: Há um ano tinha editado um post com o titulo "medo"
Obrigada!
ResponderEliminarVenho retribuir os teus votos. Uma excelente reentrada! :)
Eu assino por baixo, amigo Arte !!!
ResponderEliminarEnfim....bom ano lectivo
e obrigada lá pelo comentário :-)
Bjs
Obrigada pela tua visita e votos de um bom ano! Bem precisamos!
ResponderEliminarAbraço
Concordo em absoluto contigo.
ResponderEliminarApesar de, pela primeira vez, não ir vivenciar neste Setembro o arranque de mais um ano escolar, já que estou aposentado desde Janeiro, é com muita apreeensão que vejo o futuro imediato.
Designadamente, as divisões que a invenção dos titulares veio criar bem como as implicações que o processo de avaliação dos professores vai trazer, irá criar um clima de competição, de compadrio, de suspeição e de mesquinhez, que não será nada saudável para o clima que se tem de viver entre profissionais de uma mesma classe que, ainda por cima, tem de privilegiar as relações humanas.
Sem estar com muitas delongas é traçada aqui uma opinião que faz parte da interiorização da maioria dos professores. Se tudo continua igual com a agravante da divisão dos professores, porque acha o ME que vai melhorar as aprendizagens dos alunos e melhorar a qualidade da educação em Portugal. E ainda se outras politicas não existem para melhorar o ensino e tudo continua na mesma...o que os leva a pensar nas tais melhorias.É que gato escaldado de água fria tem medo. Dificil de entender.
ResponderEliminarMedo? Pois, se já Bocage dizia que "todo o cobarde faz força, todo o valente se caga", até dá vontade de perguntar se a ideia é amedrontar a malta e levá-la para os WC, lugar onde se pode escrever, nos intervalos, com mais calma e à vontade, sem grandes receios de ir para a lista negra das bases de dados que nos estão a controlar a todos. O pior é que esse controlo está a ser feito indiscriminadamente, põem-se as bases de dados a "dialogarem" umas com as outras, com base em parâmetros definidos, nesta fase, pelo que se tem vindo a confirmar em todas as áreas da sociedade, para lixar o pessoal, o cidadão. O Estado (que afinal devemos ser todos nós?!) tarda em se assumir como pessoa de bem, as suas responsabilidades não são assumidas automaticamente (face aos tais parâmetros que obrigariam essas famigeradas bases de dados a responderem aos nossos direitos que não só às obrigações).
ResponderEliminarCaramba, já começa a ser tempo de se modernizar a máquina administrativa do Estado, MAS NOS DOIS SENTIDOS!
Cá vamos andando (MAL, alguns, a maioria, de nós......)
António
Olá Agostinho, isto está de meter medo a todos, nem sei para que lado está a piorar...Andaram a desbanjar em festanças e passeios, mas na hora de apertar o cinto é povinho que vai...Aos funcionários é a primeira vez e profs mas nós estamos a ser vitimas faz muito tempo. beijos
ResponderEliminarEu até ia cheia de boas intenções... mas tiraram-mas logo... assim que me deram o horário... já não vou ter um ano muito bom.... bolassssssssssssssss
ResponderEliminarNo início de mais um ano escolar, e num momento em que o presente e o futuro dos professores está carregado de incertezas, injustiças e armadilhas, desejo-te, ainda assim, boa sorte ( que sempre é precisa nesta profissão tão imprevisível) e que as coisas, do ponto de vista pessoal e profissional, te corram o melhor possível.
ResponderEliminarEu, já estou de fora, mas continuo a acompanhar a saga dos colegas no activo...
Olá Agostinho.
ResponderEliminarA minha opinião, para o ensino melhorar, é, desde há muitos anos, colocar Câmaras de Videovigilância nas salas de aulas.
Ganhavam os professores porreiros, os alunos porreiros e os pais porreiros. Ganhava a Sociedade.
Actualmente estou a tirar um curso de cozinha.
Tivemos duas disciplinas, "Confecção de Carnes" e "Confecção de Peixes", em que fizemos testes prácticos. Ou seja, tinhamos que realizar sózinhos um prato de comida.
E o mais giro é que esses testes foram filmados.
Em 10 alunos 2 estavam um bocadinho nervosos no início, mas depois foram acalmando.
E O GIRO FOI na visualização das filmagens. Todos ficaram contentes de terem visto onde tinham actuado correctamente e onde tinham errado e o porquê.
Porque é que nas salas de aula nas Escolas e nas Universidades têm medo das Câmaras de Videovigilância é que ainda não percebi!
O mesmo para ti 3za.Obrigada
ResponderEliminarOK Sulista!..Pelo que ouço e vejo deve haver muitos mais descontentes.Bjs
ResponderEliminarRetribuo Teresa. Boas entradas no novo ano lectivo. Bjs
ResponderEliminarMantenho exactamente essas preocupações Peciscas. Hoje o que ouvi sobre o que têm que fazer os professores titulares até dá angústia. Vão avaliar os colegas sem se saber como o irão fazer e logo se vê o clima que vai trazer esta situação. Numa reunião foi-lhes dito que irão ter que fazer uns critérios nos quais vão fazer a observação dos colegas para os avaliar. No meu caso com 11 colegas de várias disciplinas pertencentes ao Departamento que sou coordenador vai ser terrível. O mais engraçado disto tudo é que o coordenador vai observar os colegas sem ter horas no seu horário para isso. Se tem um horário completamente cheio, porque assim mandou a Sr. Ministra, como se vai fazer a observação dos colegas e como se vai conseguir manter um registo adequado das suas actividades? Não sei e não creio que isto vá continuar assim. Mas uma coisa é certa, este ME conseguiu pôr colegas uns contra os outros e creio que vai dar origem ao favorecimento de compadrios. Um abraço Peciscas.
ResponderEliminarÉ também a minha opinião Tó. Como é que o ME vai fazer?Hummmmmmmmmmm
ResponderEliminarAntónio, com essa fazes-me rir embora a ocasião não seja para se achar graça. Até me fazes lembrar aquele "penico que se vira para o toureiro e diz-lhe: na arena és muito valente aqui cagas-te todo" é do mesmo género mas parece que anda muita gente borradinha de medo. Onde é que isto vai parar? Sem vozes capazes de reinvindicar os seus direitos quem ganha com isso já todos nós sabemos.Um abraço
ResponderEliminarAdryka, não parece ser a 1ª vez aos profs e basta ver as estatisticas de há uns anos atrás e verificar o seu poder de compra. Só que agora ultrapassaram todas as medidas do bom senso. Bjs
ResponderEliminarProfessorinha, são ordens explicitas para deixar todos os profs descontentes. Se te aborreceres quem ganha são eles, porque vais para a rua e o ME ainda bate palmas de contente porque vai abrir uma vaga para outro e colmatar assim o indice do desemprego. Bjs
ResponderEliminarObrigado Peciscas.Fazes bem em estar a par do desassossego que os colegas agora enfrentam. Um grande abraço
ResponderEliminarSe isso é a solução Mauricio 102 para acabar com a indisciplina e outros, venham lá as Camaras de Vigilância nas aulas. És capaz de ter razão!..Assim todos veriam o que acontece dentro da sala de aula. Não creio que algum professor se oponha a isso.Um abraço
ResponderEliminarTalvez fosse melhor começar pela videovigilância no Ministério da Educação (ou os exemplos nunca hão-de vir de cima?) para percebermos como surgem tão espontâneamente as ideias brilhantes dos salvadores da educação em Portugal. Depois os exemplos estimulantes e carregados de um estrondoso conteúdo pedagogico, claro, saiem assim http://www.youtube.com/watch?v=W9mU22TOLfs
ResponderEliminarEu, neste regresso às aulas, apenas queria que me deixassem ser professora e trabalhar com os meus meninos. Mas pelos vistos agora ser professor implica dar graxa a tudo e todos para subir na carreira (colegas titulares, executivo, encarregados de educação, câmaras....), ser empregado administrativo, ser empregado de limpeza, acompanhante de refeições, supervisor acompanhante de AECs , enfim, tudo menos disponibilidade para trabalhar com os alunos .
ResponderEliminarEU SÓ QUERO SER PROFESSORA!!!
Seria girissímo ver os professores dentro da sala de aula para calar os miúdos a gritar mais alto que eles. Onde já se viu isso. A ministra é boa com a sua pedagogia dentro do gabinete com os seus secretários, cá fora não vale nada. Mas tudo isto ela sabe só que não muda por perrice. Mas como dizes os exemplos deviam vir de cima e os que nos chegam como esse exemplo não são nada famosos.Um abraço cinematecaOnline
ResponderEliminarConcordo plenamente anónimo!..Ser professor já não é ensinar os alunos e desenvolver os seus conhecimentos e as suas parendizagens, mas sim uma mixelândia de tudo e de nada. Ser professor na escola tem tudo a ver menos com o ensinar. Um bom professor para uma inspeção é aquele que tem tudo organizado em papeis mesmo que na prática os seus alunos fiquem muito aquém do desejado.
ResponderEliminarSer professor implica teu uma mixelândia de cargos e atribuições que nada tem a ver com o ensinar. Por isso é que as coisas estão como estão.Um abraço