Alminhas
Relíquias de Parada de Gonta!..1
Por todo o país, mas em maior número no Norte e Centro, ladeando a beira das estradas ou dentro de povoações, nas encruzilhadas, em matas ou perto de cursos de água, na frontaria das casas ou dos pátios, existem estes pequenos monumentos, erguidos em honra das Almas do Purgatório, vulgarmente designados por «alminhas».
“As Alminhas são pequenos monumentos religiosos e são um dos vestígios mais importantes da arte popular portuguesa. Não se tem qualquer certeza acerca da sua origem, mas sabe-se que a crença em deuses protectores dos caminhos e das encruzilhadas é muito antiga”, diz Frenando Roque em As Alminhas
Segundo Júlio Rocha e Sousa na Alminha do Freixinho, as alminhas são padrões de culto aos mortos, hoje consideradas património artístico-religioso. São pequenos altares onde se pára um momento para deixar uma oração. É frequente encontrar velas e lamparina acesas, deixadas pelas pessoas que passam no local, ou mesmo oferendas de flores.
Não existem certezas mas pensa-se, que foi no célebre concílio de Trento de 1563 onde é redefinido o dogma da existência do purgatório, reafirmando-se o sufrágio dos fiéis pelas Missas a oração e a esmola.
Também segundo Júlio Rocha e Sousa, “foi o decreto sobre o Purgatório que o Papa Pio V lembrou aos fieis que existe e que as almas retidas nele, são julgadas pelo sufrágio dos fiéis e particularmente pelo aceitável sacrifício do Altar. Mandava o Santo Concílio que os Bispos se esforçassem para que a doutrina sobre o Purgatório ensinada pelos padres fosse acreditada, motivada e em todos os lugares pregada pelos fiéis de Cristo.
Esta doutrina motivou muitos artesãos e artistas na criação de inúmeras Alminhas, que hoje vemos espalhadas pela nossa região e por todo o País.”
As mais actuais (sec. XIX e XX), umas rememoram um acontecimento trágico, outras perpetuam a gratidão por uma graça concedida como as alminhas de Fiães
Ainda se encontram em muitos lugares de Portugal. A sua arquitectura é diversa e pode ser construída nos mais variados materiais. As mais comuns apresentam painéis com Nuvens e Anjos, a Santíssima Trindade, Cristo Crucificado, a Virgem Maria, Santo António, S. Miguel com a balança e tantas outras figuras de Santos. Outras ainda a Cruz Votiva como a de Parada de Gonta.
As alminhas de Parada de Gonta, encontram-se na estrada nacional 337, situando-se na proximidade do cruzamento com Rua da Nossa Senhora da Conceição e em frente a Rua Branca Gonta Colaço (poetisa). É uma arquitectura em forma de um paralelepípedo de pedra granítica e que tem embutida uma Cruz "Votiva" em alto-relevo.
Segundo relatos dos mais idosos, existiam 3 alminhas em Parada de Gonta, que já desapareceram ou foram destruídas. Todas se situavam na estrada nacional 337 e serviam de devoção a quem passava.
É pena que se tenha consentido a sua destruição porque fazem parte do património da aldeia e que muito dificilmente serão recuperadas.
Alerta-se as actuais autoridades (Junta de Freguesia)e Associações Culturais (Os Amigos) para que preservem e zelem pelas actuais alminhas e sejam capazes de sensibilizar o cidadão comum para este património.
Olá Agostinho, não conhecia esta origem das alminhas, embora por aqui pelos meus lados existam muitos desses nichos com a evocação ás alminhas do purgat´rio, eu faço sempre um venea ao passar por um desses locais. Infelizmente hoje essas velas que lá encontras não são com as intençoes que muitos de nós gostariamos, mas sim colocadas a mando de bruxarias acrdita que hoje as alminhas estão rodeadas de velas, não por devoção aos que já partiram, mas sim por uma evocação de bruxedos, é sabido e constado, aqui na Sé em Braga até foi proídido tal coisa n/ é permitido acender velas de tal forma isso era flagrante assim como a águabenta das Pias da igreja, era tiradas para os mesmos fins bruxarias. O nosso povo ensandeceu.
ResponderEliminarMuitos beijinhos para ti e uma Santa Páscoa
São monumentos de arte popular que agora são protegidos por lei. São locais de devoção e se algo se passa fora disso já é problema das pessoas que gostam de inventar. É obrigatório que se preservem os que existem. Alguns são pequenas maravilhas arquitectónicas.
ResponderEliminarPois Adryka..é verdade que sempre houve um certo mistério à volta destes monumentos. lembro-me quando era mais pequeno e na minha terra de naturalidade, haviam umas alminhas na estrada principal e já perto do cemitério que tinha quase sempre uma vela acesa e uns ramos de flores e onde as pessoas ao passar faziam vénias. Sempre achei muito misterioso e agora a minha fascinação por estes pequenos monumentos que são autênticas obras de arte.Agora, acho que um estudo mais aprofundado acerca destas "Alminhas" nos revelariam segredos que penso ainda não estarem desvendados. Boa Páscoa. Bjs
ResponderEliminarConcordo 100% com a tua opinião António. São monumentos que é preciso serem preservados e protegidos.O que vai além de locais de devoção é outro assunto que não cabem na história desta aut~entica arte popular.Um abraço
ResponderEliminarBoa Páscoa , Agostinho
ResponderEliminarOntem voltei a Viseu, fui almoçar com os meus pais e aproveitei para dar uma volta a sério pela freguesia de Ribafeita.
Quanto às "alminhas". Escrevi no meu livro "Caminhos Entrelaçados - na freguesia da Barreira", resultado da minha experiência como membro da sua Junta, em dado passo, o seguinte:
"...As "alminhas", como bem sabe quem estiver atento às questões da tradição religiosa do nosso povo, são pequenos nichos construídos à margem de estradas e caminhos, representando as almas penadas no purgatório. Este nicho de Alminhas contém inscrições com os seguintes dizeres: "Ó vós que ides passando lembrai-vos dos que estão penando"".
A verdade é que, precisamente ontem reparei num outro nicho, desta vez lá para os lados da minha terra com os mesmos dizeres taxativamente, coisas já feitas com azulejos, mais recentes.
Um abraço
António
- Agostinho, se vires algum interesse nisso posso enviar-te este livro, que teria muito gosto em to oferecer.
Bastaria que me enviasses a tua direcção por e-mail, aquele que vem no blogue.
São monumentos que pela sua arquitectura variada me fascinam António. Há quem lhe chame arte popular embora a sua construção tenha um significado bem especifico. Tenho uma certa curiosidade pelo mistério que englobam.Claro António que gostaria e seria uma honra para mim ler esse teu livro.Um abraço. Boa Páscoa
ResponderEliminarTambém sempre me intrigaram essas capelinhas à beira das estradas e sempre achei que tinham a ver com bruxarias. Ainda bem que o amigo fala do seu aparecimento e a intenção para que foram feitas. Os homens é que deturpam tudo ao longo dos tempos e depois nunca se têm certezas de tanto ouvir dizer o contrário. Terei mais curiosodade ao passar por alguma. Boa Páscoa
ResponderEliminarDesde pequena que ouvia a minha avó falar das alminhas da ponte, segunda ela tinha a ver com as invasões francesas. Gostei imenso do que li, pois são sempre interessantes estes apontamentos.
ResponderEliminarUm Feliz e Santa Páscoa para ti para os teus.
Beijinhos.
Por acaso não fazia a mais pequena ideia do que eram esses monumentos. Parabéns pela investigação e Boa Páscoa!
ResponderEliminarBoa Páscoa, beijokas
ResponderEliminarUma santa Páscoa
ResponderEliminarÉ verdade que ao longo dos tempos o homem deixa a sua impressão "do que ouve" sobre as coisas e depois acrescenta à sua maneira deturpando a verdade sobre elas, Serafim Sousa.Desejo-te uma BOA PÁSCOA.
ResponderEliminarTambém na investigação que fiz, algumas remomoram as invasões Francesas Carla Silva. Desejo-te uma BOA PÁSCOA. Bjs
ResponderEliminarRetribuo Filipe Almeida...BOA PÁSCOA!..Um abraço
ResponderEliminarRetribuo Moura Luar. Uma Excelente Páscoa.
ResponderEliminarPara ti também grilinhablog.BOA PÁSCOA.
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