25 de Abril..Sempre!
Despiu-se o medo...
Vestiu-se a Liberdade!..
Tinha 16 anos e andava no 10º ano ou no 1º ano do Curso Complementar de Mecanotecnia como lhe chamavam na altura. Fazia aquele percurso de 3 km a pé entre a minha casa e a escola, mas naquele dia algo de estranho me parecia que andava no ar.
Algumas pessoas falavam muito baixinho e olhavam para os lados como se tivessem medo de ser ouvidas e a G.N.R. andava num frenesim para cima e para baixo como se procurasse algo.
Achei tudo muito estranho, mas mesmo assim, continuei até à escola e quando lá chegei fui informado que estava fechada, tendo sido aconselhado a ir direitinho para casa sem parar em nenhum lado.
O Gonçalves, homem já de barba e o colega mais velho da minha turma, acompanhou-me no percurso para casa, já que ficava para os meus lados e foi-lme explicando entre dentes que tinha havido uma revolução para acabar com a guerra colonial. O percurso foi feito quase em silêncio e a G.N.R. passava por nós para cima e para baixo nas suas patrulhas de mota e com muita mais insistência, até que o Gonçalves disse baixinho: Olha, estes são os fachos, são a favor da guerra colonial e contra a revolução, enquanto os militares, como aqueles que estão ali no cartel, O RAL 5 era ali no campo da feira, são contra a guerra colonial e foram os que fizeram a revolução. Ainda vai haver guerra entre eles, dizia ele.
Despedi-me do colega que ficava pelo centro da cidade e continuei o meu percurso passando como sempre no Quartel Militar do Exército na altura RAL 5, reparando que havia um movimento invulgar de carros de combate à porta desse Quartel Militar. Continuando o percurso até casa, fiquei atento às notícias até ter a confirmação do que significava esta Revolução e o marco que foi o 25 de Abril.
Foi assim a minha primeira lição sobre o 25 de Abril, dia em que se despiu o medo e vestiu-se a Liberdade...
Faz hoje trinta e dois anos...sempre que posso relembro-o.
Foi assim que eu vi e senti o 25 de Abril de 1974.
Agostinho Silva
"Arte por um Canudo 2"
Comovida, sem palavras, só um abraço.
ResponderEliminar(Eu hoje não acrescentei o "sempre", estou triste porque muita coisa é triste após a alegria e esperança de há 32 anos, mas fiquei feliz por ler. Sim, 25 de Abril... sempre! :) )
IC, aquela fé de há 32 anos que nos fazia correr e gritar ao vento: Viva o 25 de Abril!Viva a Liberdade..vai-se esmorecendo e só espero que não acabe..vou resistindo com as palavras que tenho na mão.Bjs
ResponderEliminarSão neste preciso momento 21:30 horas deste lado do Atlântico. Estou em estado de alerta... o "rádio" de CDs está a postos... está a chegar a hora... Paulo de Carvalho... depois Zeca... amanhã vou escrever melhor de certeza certezinha... vou-me sentir mais solto, mais LIVRE de cravo bem vermelho ao peito.
ResponderEliminarAbraço
21:30 horas de 24 de Abril,tá claro
ResponderEliminarTá quase Seven!..O cravo ajudo-te a erguê-lo..Viva o 25 de Abril!Viva a Liberdade!..
ResponderEliminarPois eu Agostinho, tive um 25 de Abril muito fora do vulgar. Ainda não era nascida e o mais provável é ter andado rua acima rua abaixo em cima duma "famel zundap", lá na aldeia, em frente da casa da minha mãe. Não sei se me faço entender... Bom feriado e nunca te esqueças que "o povo é quem mais ordena". VIVA A LIBERDADE.
ResponderEliminarAh, a tua pintura está muito bonita.
( tens de passar no meu blog, mudei aquilo tudo, só que desapareceu-me o contador... )
Amigo obrigada pelo teu cravo matinal lá no meu campo! 25 de Abril sempre! Viva a Liberdade. Abraço
ResponderEliminarUm grande abraço!
ResponderEliminarCompreendo o que queres dizer e só tu para o lembrares assim. Tens sentido de humor..que muito aprecio. De qualquer forma tens o coração do lado da Liberdade e daqueles que defendem que todos devem te direitos iguais, pelo menos esse é o pricipio e a base do 25de Abril. O contador é só ires ao primeiro blog nesta nova plataforma e copiares para o blog que tens agora. Beijinhos e VIVA O 25 DE ABRIL.
ResponderEliminarA reacção invadiu o Voz, mas já consegui fazer entrada, ufa...
ResponderEliminarAbraço...
Amigo Agostinho, por coincidência, também eu me lembrei de contar um pouco desse dia da minha vida. Ao amigo, com 16 anos, já lhe ficou na cabeça um pouco mais da verdadeira dimensão da revolução. Eu ainda andava um pouco nas nuvens e de pouco me apercebi. Um abraço.
ResponderEliminarQue nunca se apague da memória este gesto Maria Papoila. O cravo matinal no dia 25 de Abril é algo que significa a esperança. bjs
ResponderEliminarJúlio Cesar, essa de não haver Abril como o primeiro e cito :http://www.naweb.info/blogalizacao/ quase condiz com os comentários que tenho feito a outros blogs "a fé que nos moveu no 25 de Abril de 74, vai-se esmorecendo". Um abraço
ResponderEliminarPassei por lá e verifiquei Seven. Aconselho a quem quiser fazer um estudo sobre o 25 de Abril tem material suficiente no teu blogue. Um abraço.
ResponderEliminarÉ verdade segundavida! Pois eu com 16 anos também me recordo e até vivi esse dia de forma diferente.Senti que tinha acontecido algo de diferente pela forma como as pessoas se olhavam , quando caminhava para a escola. Via alguns cafés fechados onde era quase proibida a entrada à gente comum e logo estranhei. Vi o movimento de GNR e de soldados fora do normal a patrulhar as ruas e quando cheguei à escola é que me apercebi da dimensão do que tinha acontecido...fui mandado embora e sem parar em nenhum lado..A partir de aí andei sempre de punho erguido e a gritar Viva a Liberdade.Um abraço
ResponderEliminarEssa história da tua aprendizagem é linda. Aprendeste pelos teus meios e viveste essa época maravilhosa em que a fé no 25 de Abril foi algo que transcendeu tudo que se imaginava. Ofereço-te um cravo e um Viva ao 25 de Abril.Beijos
ResponderEliminarRealmente Sara, era uma fé que movia montanhas e eu também participei nela durante uns anos. Continuo acreditar que um dia o que se gritava nas ruas (manifestações de apoio ao 25 de Abril) vai ser posto em prática. Aceito o teu cravo como simbolo do 25 de Abril. Bjs
ResponderEliminarQuem er o Gonçalves?
ResponderEliminarO Gonçalves Nelo, foi um colega que tive que naquela altura, era muito mais velho que nós, encorpado e cabelo rapado. Morava na cidade e nunca mais o vi. Só o tive como colega nesse ano e no 11º ano já tinha desaparecido. Nesse ano foi um grande amigo meu.
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